O filme “O Projeto Flórida”, dirigido pelo americano Sean Baker, foi um dos grandes destaques do Oscar deste ano, levando para casa a estatueta mais cobiçada da noite: a de Melhor Filme. Com uma história emocionante e atuações cativantes, o filme conquistou o coração de crítica e público. No entanto, apesar de todo esse sucesso, o longa ainda possui um desempenho morno em um quesito muito importante: a representatividade racial.
Antes de entrarmos nessa questão, é importante ressaltar a importância de “O Projeto Flórida” para a sétima arte. O filme retrata a vida de pessoas que vivem em motéis baratos na região turística de Orlando, nos Estados Unidos, mostrando a realidade de famílias que lutam para sobreviver em meio à pobreza e à exclusão social. A narrativa é conduzida pelos olhos de uma criança, Moonee, e seus amigos, que passam os dias brincando e aprontando, mesmo em meio a tantas dificuldades.
Além disso, o longa aborda temas sensíveis como maternidade solo, abandono, violência, entre outros, de uma forma sensível e realista. A atuação da pequena Brooklynn Prince, que interpreta Moonee, é simplesmente encantadora e emocionante. Acompanhamos seu crescimento e amadurecimento ao longo da história, e ela nos causa uma mistura de sentimentos, desde alegria até tristeza profunda.
O elenco ainda conta com Willem Dafoe, que interpreta o gerente do motel e traz uma grande carga dramática para o filme. Sua atuação é impecável e nos faz refletir sobre a relação entre ricos e pobres, mostrando que muitas vezes os que estão em situação mais precária são os que possuem mais humanidade e compaixão.
Com todas essas qualidades, é justificado o prêmio de Melhor Filme para “O Projeto Flórida”. No entanto, é necessário analisar a questão da diversidade racial, que ainda é um grande desafio para Hollywood. O filme possui um elenco majoritariamente branco, o que acaba refletindo uma realidade distorcida da população americana, que é composta por uma grande diversidade de raças.
Ao analisarmos o contexto do filme, que se passa em uma região considerada “paraíso turístico”, é possível entender a escolha do elenco branco, já que essa é a imagem que se quer vender para os turistas. Mas isso não pode ser utilizado como justificativa para a falta de representatividade racial. É importante que as produções cinematográficas tragam essa diversidade para as telonas, mostrando a realidade da sociedade e promovendo a igualdade.
É preciso reconhecer que o cinema tem um papel fundamental na construção da representatividade racial, tanto para os atores quanto para o público. Quando vemos um filme que retrata pessoas negras, latinas, asiáticas ou de qualquer outra raça, isso nos mostra que todos têm seus lugares na sociedade e que é possível termos mais diversidade em todas as áreas da vida.
“O Projeto Flórida” é um filme incrível, que merece todo o reconhecimento e prêmios que recebeu. Porém, é preciso que a indústria cinematográfica evolua em questões de diversidade racial, para que possamos ver cada vez mais filmes que retratem a realidade de forma inclusiva e representativa. Afinal, o cinema tem o poder de nos transportar para outras realidades e narrativas, e é importante que todas as pessoas se sintam representadas e incluídas nesse universo.
Em resumo, “O Projeto Flórida” é um filme imperdível, que nos emociona, nos faz refletir e nos leva a



