A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma das instituições mais importantes e respeitadas do país, reunindo os maiores nomes da literatura brasileira. Entre esses imortais, está a pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda Teixeira, que se tornou o cerne do documentário “O nascimento de H. Teixeira”, dirigido por sua filha, a cineasta Carolina Jabor.
O documentário, que estreou recentemente no Festival do Rio, é uma homenagem à trajetória de Heloisa Teixeira, uma das primeiras mulheres a integrar a ABL, em 2001. Através de depoimentos de amigos, familiares e colegas de profissão, o filme retrata a vida e obra dessa importante pesquisadora, que dedicou sua carreira à valorização da cultura brasileira.
Nascida em 1939, no Rio de Janeiro, Heloisa Teixeira é formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui mestrado e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Sua paixão pela literatura brasileira a levou a se tornar uma das maiores especialistas no assunto, com uma vasta produção acadêmica e literária.
No documentário, é possível conhecer um pouco mais sobre a infância de Heloisa, sua relação com a família e suas primeiras experiências com a literatura. Através de imagens de arquivo e entrevistas, o filme mostra como a pesquisadora sempre teve uma visão crítica e engajada em relação à produção cultural do país.
Um dos momentos mais emocionantes do documentário é quando Heloisa recebe a notícia de sua eleição para a ABL. A emoção e a alegria estampadas em seu rosto mostram o quanto esse reconhecimento foi importante para ela, que sempre lutou pela valorização da cultura brasileira e pela presença das mulheres no meio literário.
Além de sua atuação como pesquisadora e escritora, Heloisa Teixeira também foi uma importante militante dos direitos das mulheres. Em uma época em que a presença feminina na academia era ainda mais restrita, ela foi uma das fundadoras do Coletivo Feminista da UFRJ e lutou pela criação do primeiro curso de pós-graduação em Estudos de Gênero no Brasil.
O documentário também aborda a relação de Heloisa com a escrita, mostrando que ela sempre viu a literatura como uma forma de resistência e transformação social. Sua obra é marcada por uma abordagem crítica e reflexiva sobre a sociedade brasileira, abordando temas como identidade, gênero e cultura.
Com uma narrativa fluida e emocionante, “O nascimento de H. Teixeira” é um convite para conhecermos mais sobre a vida e obra dessa mulher tão importante para a literatura e cultura brasileiras. O documentário é uma homenagem justa e necessária a uma pesquisadora que, ao longo de sua carreira, sempre buscou valorizar e dar voz às diversas manifestações culturais do país.
Além disso, o filme também é uma forma de inspirar e incentivar novas gerações de pesquisadores e escritores, especialmente as mulheres, a ocuparem espaços na academia e na produção cultural. Heloisa Teixeira é um exemplo de força, determinação e comprometimento com a cultura brasileira, e sua história merece ser conhecida e celebrada.
Em um momento em que a cultura e a educação estão sendo tão atacadas no país, “O nascimento de H. Teixeira” é um lembrete de que a literatura e a pesquisa são ferramentas fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. E que, como disse a própria Heloisa em uma de suas entrevistas, “a literatura é uma forma de resistência e de



