No início do mês de setembro, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, participou de um evento promovido pela XP Investimentos em Miami. Durante o encontro, Campos Neto abordou diversos assuntos relacionados à economia brasileira e internacional, mas um tema em particular chamou a atenção: a queda do dólar em 2021.
Segundo o presidente, a desvalorização da moeda norte-americana foi parcialmente apoiada pelas consequências do próprio movimento de queda. Ou seja, o dólar sofreu uma redução devido aos reflexos de suas próprias ações. Mas o que isso significa? E como isso afeta a economia nacional?
Para entender melhor, é preciso voltar um pouco no tempo. No final de 2020, o mercado financeiro brasileiro foi abalado pelas discussões sobre a possibilidade de uma taxação de dividendos no país. Neste cenário, os investidores estrangeiros começaram a se desfazer de suas posições em ações brasileiras e a buscar outras opções de investimento em países como os Estados Unidos, onde a tributação sobre os lucros é menor.
A consequência direta disso foi uma grande saída de dólares do Brasil, o que causou uma forte valorização da moeda norte-americana em relação ao real. Chegamos, então, ao início de 2021 com o dólar em patamares históricos, ultrapassando a marca de R$5,80.
Foi neste contexto que a equipe econômica do governo começou a discutir a possibilidade de um imposto sobre os dividendos, como forma de compensar a futura redução do Imposto de Renda das empresas. Porém, diante da forte reação negativa do mercado e dos investidores, a proposta foi sendo gradualmente diluída até ser retirada completamente da reforma tributária.
Com isso, a expectativa de uma taxação de dividendos diminuiu significativamente, o que acabou refletindo na queda do dólar. Afinal, com a possibilidade de um imposto menor sobre os lucros, os investidores estrangeiros voltaram a enxergar o Brasil como uma opção atraente de investimento.
Além disso, outro fator que contribuiu para a queda do dólar foi a melhora no mercado interno. Com a retomada da economia brasileira, impulsionada pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 e o afrouxamento das medidas de restrição, houve um aumento na demanda por produtos e serviços nacionais. Isso, por sua vez, impulsionou a entrada de dólares no país, o que contribuiu para a desvalorização da moeda estrangeira.
Para Campos Neto, é importante destacar que a alta do dólar não foi uma preocupação apenas do Brasil, mas também de outros países emergentes. Segundo ele, os Estados Unidos passaram por um processo semelhante, com um aumento da saída de dólares do país, mas conseguiu controlar a situação com uma postura mais agressiva de seu Banco Central.
O presidente do Banco Central também ressaltou que a queda do dólar é positiva para o país, pois promove um ambiente de inflação mais baixa e uma maior competitividade para as empresas brasileiras. Além disso, uma moeda mais barata também facilita as exportações, o que pode contribuir para o crescimento da economia.
Diante desses fatores, fica evidente que a queda do dólar este ano foi uma combinação de diversos fatores, sendo a incerteza em relação à taxação de dividendos um deles. Com a retirada da proposta da reforma tributária, a moeda norte-americana encontrou um caminho de estabilidade e voltou a patamares mais baixos.
No entanto, é importante ressaltar que a volatilidade do dólar é uma característica do mercado finance


