Nos últimos meses, o comércio internacional tem sido pauta de discussão em todo o mundo, principalmente no que diz respeito às políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as medidas adotadas pelo governo americano está o chamado “tarifaço de Trump”, uma taxa de 50% sobre as exportações de diversos produtos. E essa medida, que entrará em vigor em agosto, já está causando impactos no comércio global.
O objetivo de Trump com o aumento das tarifas é proteger a indústria americana e reduzir o déficit comercial que o país possui com outras nações. Porém, os efeitos dessa política já estão sendo sentidos no mercado, especialmente nos países que possuem uma forte relação comercial com os Estados Unidos, como o Brasil.
Um dos setores que foi diretamente afetado pelas medidas de Trump foi o de exportação de carne brasileira para os EUA. Desde que o presidente americano anunciou o aumento das tarifas, em março deste ano, as vendas de carne bovina do Brasil para o país despencaram em três meses consecutivos. Isso representa uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, em março deste ano, antes do anúncio das tarifas, as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA alcançaram o valor de US$ 35,7 milhões. Já em abril, o valor caiu para US$ 31,4 milhões e em maio atingiu apenas US$ 18 milhões. Como resultado, o Brasil perdeu a posição de principal fornecedor de carne bovina para os Estados Unidos, sendo ultrapassado pelo Canadá e Austrália.
Os efeitos do “tarifaço de Trump” vão além da queda nas exportações. Com a redução da demanda por carne brasileira nos EUA, os produtores do país estão enfrentando dificuldades para manter seus negócios. Além disso, o aumento das tarifas também influencia no preço do produto, tornando-o menos competitivo no mercado internacional.
No entanto, nem tudo são más notícias. Apesar da queda nas exportações, a situação não é vista com pessimismo pelo setor de carne brasileira. Isso porque, apesar dos impactos iniciais, o Brasil possui uma diversificação de mercados, o que minimiza os efeitos negativos das tarifas.
Além disso, o setor de carne brasileira vem se recuperando de um período conturbado, em que as exportações foram afetadas por problemas sanitários e a Operação Carne Fraca. Com isso, a queda nas vendas para os EUA não deve prejudicar significativamente o mercado interno.
Outro fator que pode trazer otimismo é a possibilidade de uma retomada do diálogo entre Brasil e EUA. O governo brasileiro tem buscado uma aproximação com a administração Trump para tentar reverter a situação e evitar que as exportações de carne continuem caindo. Além disso, o Brasil tem utilizado sua posição de membro do BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para fortalecer o comércio com outros países, diminuindo a dependência das exportações para os Estados Unidos.
Diante desse cenário, é importante que os produtores brasileiros de carne bovina estejam atentos às mudanças e busquem alternativas para minimizar os impactos do “tarifaço de Trump”. A diversificação de mercados e a busca por parcerias comerciais são medidas que podem ajudar a manter o setor forte e competitivo.
É preciso lembrar que o mercado internacional está em constante transformação e que, mesmo diante de desafios, é possível encontrar oportunidades. Afinal, o Brasil tem se destac



