O cinema sempre foi uma forma de arte capaz de unir pessoas e criar laços entre elas. E é exatamente isso que acontece em “Entre Lisboa e Cabeço de Vide”, filme dirigido por João Botelho e que se passa entre a capital portuguesa e uma pequena vila no Alentejo. A trama acompanha a relação entre um avô e um neto, inicialmente distantes, mas que se aproximam através da paixão em comum pelo cinema.
O filme é ambientado na década de 1940, em plena ditadura salazarista, e é narrado pelo próprio neto, que relembra suas memórias de infância ao lado do avô. O menino, interpretado pelo jovem ator Miguel Borges, é enviado para passar as férias com o avô, interpretado pelo veterano ator António Botelho, em uma vila no Alentejo. O avô é um homem solitário e reservado, que vive recluso em sua casa e em seu quintal, onde cultiva uma grande plantação de oliveiras. Já o neto é um jovem curioso e entusiasmado, que chega cheio de expectativas para as férias.
A princípio, o relacionamento entre os dois é marcado por uma certa frieza e distância, já que o avô não sabe muito bem como se aproximar do neto. Mas tudo muda quando eles descobrem em comum o amor pelo cinema. O avô é um cinéfilo apaixonado, que guarda em sua casa uma grande coleção de filmes antigos. E é através desses filmes que ele começa a compartilhar suas histórias e ensinamentos com o neto.
Entre sessões de cinema caseiras e conversas sobre a sétima arte, o avô e o neto vão se aproximando e construindo uma relação de cumplicidade e afeto. E é nesse contexto que o filme se torna uma verdadeira declaração de amor ao cinema. Através de cenas que mesclam a ficção e a realidade, “Entre Lisboa e Cabeço de Vide” presta uma homenagem aos grandes cineastas e filmes que marcaram a história do cinema português, como Manoel de Oliveira, José Leitão de Barros e “Aniki Bóbó”, de Manoel de Oliveira.
Além disso, o filme também nos mostra a importância do cinema como uma forma de escapismo e de resistência em tempos difíceis. Em plena ditadura salazarista, onde a censura e a repressão eram constantes, o cinema era uma forma de liberdade e de sonhar com um mundo melhor. E é exatamente isso que o avô e o neto encontram juntos através dos filmes.
A fotografia do filme é um destaque à parte, com belas paisagens do Alentejo e uma paleta de cores que transmite a nostalgia e o clima de época. A trilha sonora também é outro ponto forte, com músicas que nos transportam para os anos 40 e que embalam as cenas com muita emoção.
“Entre Lisboa e Cabeço de Vide” é um filme que nos emociona e nos faz refletir sobre a importância do cinema em nossas vidas. É uma história simples, mas que transmite uma mensagem poderosa sobre a importância das relações humanas e da arte na construção de laços afetivos. E, acima de tudo, é uma ode ao cinema português e a todos aqueles que mantêm viva a paixão pela sétima arte.
Filmado com sensibilidade e delicadeza, “Entre Lisboa e Cabeço de Vide” é um filme que merece ser visto e apreciado por todos aqueles que amam o cinema e acreditam no poder da arte em transformar vidas. Uma obra-prima do cinema português que nos lembra que, mesmo em momentos difí



