Fundamentalismo religioso é um termo que frequentemente ouvimos sendo discutido nos dias de hoje. Muitas vezes associado a extremismo, intolerância e violência, o fundamentalismo religioso é um fenômeno que tem preocupado a sociedade em geral.
Para compreender melhor esse assunto, a coluna GENTE teve a oportunidade de conversar com João Décio Passos, um renomado teólogo e filósofo brasileiro, conhecido por suas análises críticas sobre o papel da religião na sociedade.
Durante a entrevista, João Décio Passos abordou os perigos do fundamentalismo religioso e como ele pode afetar negativamente a vida das pessoas e da sociedade como um todo.
“O fundamentalismo religioso é um fenômeno complexo, que pode ser definido como uma interpretação literal das escrituras sagradas e a crença na verdade absoluta de uma única religião. Ele ignora o contexto histórico, cultural e social em que essas escrituras foram escritas e tende a impor suas crenças de forma agressiva e intolerante”, explica o teólogo.
De acordo com João Décio Passos, o fundamentalismo religioso pode ser encontrado em diversas religiões, desde o cristianismo até o Islã. Ele ressalta que, apesar de serem minoria, os fundamentalistas têm grande influência e poder de persuasão, o que pode levar a um cenário preocupante.
“Os fundamentalistas acreditam que somente a sua religião é a verdadeira e que todos os outros são infiéis. Isso pode gerar um clima de segregação e discriminação, que pode culminar em conflitos e violência. Além disso, o fundamentalismo também pode ser usado como uma ferramenta de controle social, limitando a livre expressão e o pensamento crítico”, alerta o filósofo.
Uma das principais preocupações de João Décio Passos é o impacto do fundamentalismo religioso na vida das pessoas. Ele ressalta que muitos acabam se tornando fanáticos, abrindo mãos de suas liberdades e direitos individuais em nome de uma suposta salvação.
“O fundamentalismo afeta a maneira como as pessoas vivem suas vidas, pois impõe uma série de regras e restrições, muitas vezes baseadas em interpretações distorcidas das escrituras. Isso pode resultar em uma vida alienada, sem espaço para a individualidade e a diversidade”, afirma o teólogo.
Além disso, João Décio Passos destaca o papel dos fundamentalistas na disseminação de discursos de ódio. Ele ressalta que o extremismo religioso pode ser usado para justificar ações violentas contra aqueles que não seguem as mesmas crenças.
“É preciso ter cuidado com a retórica extremista, que muitas vezes é mascarada em discursos de amor e tolerância. É importante combatermos o fundamentalismo religioso com diálogo, respeito e tolerância, que são valores fundamentais para uma sociedade plural e democrática”, aconselha o filósofo.
Ao final da entrevista, João Décio Passos faz um apelo para que as pessoas reflitam sobre o papel da religião em suas vidas e como ela pode ser usada como uma ferramenta para promover o bem comum.
“Cada pessoa tem o direito de escolher suas crenças e viver de acordo com elas, mas é preciso ter cuidado para não cair no fundamentalismo e prejudicar aqueles que pensam diferente. A religião deve ser uma fonte de amor, compaixão e respeito ao próximo, não de ódio e intolerância. É preciso cultivar o pensamento crítico e a empatia para construirmos uma sociedade mais justa e pacífica”, conclui o teólogo.
Em



