A Delegacia de Homicídio da Capital (DHC) está investigando um terrível ataque a tiros contra três homens em situação de rua ocorrido na madrugada desta sexta-feira (17). Os atiradores desceram de um carro e efetuaram disparos contra os homens que viviam embaixo do viaduto do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, onde moravam com outras pessoas na mesma condição de vulnerabilidade social.
Tragicamente, dois dos homens morreram no local e o terceiro foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde está internado em estado grave. Ele foi identificado como Jaílton Matias Anselmo, de 37 anos.
A notícia é ainda mais chocante quando nos deparamos com o fato de que as vítimas eram pessoas sem moradia, vivendo em uma condição de total vulnerabilidade e invisibilidade social. Pessoas que tinham o direito básico à cidadania negado e que não tiveram sequer a chance de se defenderem.
É importante lembrarmos que esse não é um caso isolado. Segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, existem mais de 15 mil pessoas vivendo em situação de rua na cidade. Maioria delas, homens e mulheres que já passaram por diversas situações de violência e exclusão social.
Nesse contexto, a tragédia do viaduto do Irajá se torna ainda mais grave e representa uma realidade que precisa ser transformada urgentemente. O Estado tem o dever de garantir a proteção e dignidade dessas pessoas, e atos de violência como esse evidenciam a falha dessa responsabilidade.
Os homens que foram vítimas do ataque eram conhecidos e faziam parte da comunidade do bairro de Irajá. Eles possuíam histórias, sonhos e talentos, como o percussionista Ethervaldo Bispo dos Santos, de 52 anos, conhecido como “Bahia”. Ele participava dos ensaios do Movimento Afro Cultural Ilu Odara, um bloco afro inspirado nos ritmos de samba afro e reggae.
A cultura pode ser uma ferramenta de resistência e transformação social, e Bahia encontrou na música uma forma de expressar sua identidade e lutar contra as desigualdades. Infelizmente, sua história foi interrompida de forma cruel e violenta.
Lucas Xarará, idealizador do movimento, expressou sua revolta e tristeza com o ataque, e também fez um apelo para que familiares ou conhecidos de Bahia se manifestem para que ele possa ter um sepultamento digno e o respeito que merece.
A violência contra as pessoas em situação de rua é uma triste realidade em várias cidades do Brasil. Além de lidarem com as dificuldades da falta de moradia, essas pessoas ainda sofrem com a violência e a discriminação. E cabe a todos nós, como sociedade, lutar contra essa realidade e exigir políticas públicas efetivas que garantam os diretos dessas pessoas.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado se pronunciaram sobre o caso, repudiando a violência e a ausência de políticas públicas sérias para atender a população em situação de rua. É preciso reconhecer que a violência não resolve os problemas sociais, pelo contrário, apenas os aprofunda.
A sociedade deve se unir para exigir ações efetivas e políticas públicas que garantam a moradia digna e a inclusão social das pessoas em situação de rua. Também é necessário combater o preconceito e a discriminação, lembrando que essas pessoas são seres human



