A comunidade quilombola Mesquita, localizada em Cidade Ocidental (GO), tem motivos para celebrar. Após 280 anos de história, finalmente foi reconhecida pelo Instituto Nacional de Colonização (INCRA) como detentora de uma área de 4,1 mil hectares, 80% maior do que a que ocupava anteriormente. Essa conquista representa um alívio para as cerca de 1,1 mil famílias que vivem na comunidade, pois agora poderão desfrutar de seu território ancestral sem a presença de ocupantes irregulares, incluindo fazendeiros do ramo da soja.
A comunidade Mesquita é um exemplo de resistência e luta pela preservação de suas tradições e modo de vida. Situada no coração do Cerrado, essa comunidade sempre teve uma forte ligação com a natureza e a exploração sustentável do meio. Por isso, o reconhecimento de suas terras é um passo importante para garantir a proteção do meio ambiente e a segurança dos moradores.
Segundo Walisson Braga, liderança jovem quilombola, a retomada da posse do território não apenas permitirá a recuperação de 80% da área, mas também interromperá o processo de desmatamento promovido pelos grileiros. Além disso, a comunidade poderá voltar a trabalhar na agricultura, uma atividade que sempre esteve presente em sua história, mas que foi prejudicada pela presença dos invasores. Com a segurança de suas terras, os moradores poderão cultivar seus alimentos e gerar renda para suas famílias.
A notícia do reconhecimento das terras foi recebida com alívio pela comunidade, que se prepara para uma grande celebração na Festa do Marmelo, que acontecerá no próximo dia 11 de janeiro. O marmelo é um fruto importante para a comunidade, pois além de ser fonte de renda, também é um símbolo de resistência diante das invasões em seu território. Essa vitória será comemorada por todos os moradores, que veem nela um marco importante em sua história.
O reconhecimento das terras do quilombo Mesquita também representa uma reparação histórica para os descendentes de escravizados que ali vivem. Durante anos, a comunidade sofreu com a grilagem de suas terras, o que prejudicou seu acesso a áreas de plantio, moradia e até mesmo a caminhos tradicionais que cortam o território. Com a decisão do INCRA, essa realidade será enfrentada e os moradores poderão viver em paz e segurança em suas terras ancestrais.
Para Maria Celina, chefe da Divisão de Territórios Quilombolas do INCRA no Distrito Federal e Entorno, o reconhecimento das terras do quilombo Mesquita é um passo importante para enfrentar a realidade das invasões que ocorreram ao longo dos anos. Isso garantirá o direito à terra ancestral e protegerá as famílias da especulação imobiliária, que sempre foi uma ameaça para a comunidade.
A superintendente regional do INCRA, Claudia Farinha, também ressalta a importância desse reconhecimento para a comunidade. Além de garantir o direito à terra, essa conquista também protege os moradores da especulação imobiliária, que sempre foi uma ameaça para o quilombo Mesquita. Com suas terras regularizadas, a comunidade poderá viver com tranquilidade e preservar suas tradições e modo de vida.
Uma pesquisa antropológica realizada na comunidade revelou que os moradores do quilombo Mesquita tiveram um papel fundamental na construção de Brasília. Eles ajudaram a erguer cantinas, hospedagens e refeitórios para os migrantes que chegaram à região



