O cinema português está de luto hoje com a notícia do falecimento do renomado cineasta João Canijo, aos 68 anos de idade. O artista sofreu um ataque cardíaco fulminante, deixando um grande vazio na cultura e no audiovisual do país. Com uma carreira extensa e marcante, João Canijo deixa para trás uma obra rica e diversificada que certamente continuará a inspirar futuras gerações.
Nascido em Lisboa, em 1957, João Canijo iniciou sua carreira na década de 1980, trabalhando como assistente de direção em produções internacionais e nacionais. Em 1997, lançou seu primeiro filme “Três Palmeiras”, mas foi com “Ganhar a Vida” (2001) que conquistou maior reconhecimento e projeção no cenário do cinema português. A partir daí, João Canijo construiu uma filmografia marcada pela ousadia e pela sensibilidade em abordar temas relevantes e controversos.
Entre suas obras mais destacadas, podemos citar “Noite Escura” (2004), um filme que retrata a vida de prostitutas em Portugal durante a década de 1960, com uma abordagem crua e realista; e “Sangue do Meu Sangue” (2011), que aborda a violência doméstica e a relação de mães e filhos em um contexto familiar disfuncional. Ambos os filmes foram premiados em importantes festivais de cinema, como o Festival de Cinema de Veneza e o Festival de Cinema de San Sebastián.
Porém, foi com “Mal Viver” (2023) que João Canijo conquistou um dos maiores reconhecimentos de sua carreira. O filme, que aborda a história de uma família de imigrantes portugueses em Paris, foi premiado com o Urso de Prata, Prêmio do Júri, no Festival de Cinema de Berlim. Com uma narrativa intensa e personagens complexos, João Canijo explorou as questões de identidade e pertencimento de forma magistral, mostrando sua versatilidade e maestria na direção.
Além de seu trabalho no cinema, João Canijo também atuou como professor em escolas de cinema e desenvolveu projetos sociais que visavam a inclusão e o desenvolvimento cultural de jovens em comunidades carentes. Sua paixão pela sétima arte ia além das câmeras, e ele sempre foi um defensor da importância da arte e da cultura como formas de transformar e impactar positivamente a sociedade.
A partida precoce de João Canijo deixa um vazio não só na cultura portuguesa, mas também no coração de todos que tiveram a oportunidade de conhecer e admirar seu trabalho. Sua arte, marcada pela sensibilidade e pela ousadia, continuará a inspirar e emocionar as pessoas, e seu legado será eternizado através de suas obras.
Neste momento de luto, é importante celebrarmos a vida e a obra de João Canijo. Um cineasta que nos deixou um legado tão valioso e que contribuiu, de forma ímpar, para a riqueza da cultura cinematográfica portuguesa. Que sua memória seja sempre lembrada com carinho e que suas histórias continuem a encantar e a emocionar o público por muitas gerações. Descanse em paz, João Canijo. Seu legado será eterno.



