Compre Europeu: a autonomia europeia na Defesa que não agrada aos aliados norte-americanos
Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais evidente a busca da União Europeia por uma maior autonomia em questões de defesa e segurança. Com a crescente instabilidade global e a incerteza em relação à política externa dos Estados Unidos, a UE tem buscado fortalecer sua própria capacidade de defesa e se tornar menos dependente de seus aliados tradicionais. No entanto, essa busca pela autonomia não tem agradado aos Estados Unidos, que veem a Europa como um importante parceiro na manutenção da segurança global.
O termo “Compre Europeu” tem sido utilizado para descrever a estratégia da UE de aumentar sua independência em relação à defesa, através do desenvolvimento de suas próprias capacidades militares e da redução da dependência de equipamentos e tecnologias norte-americanas. Essa estratégia tem sido impulsionada principalmente pela França e pela Alemanha, que são os principais motores da integração europeia.
Uma das principais razões para essa busca pela autonomia é a incerteza em relação à política externa dos Estados Unidos. Desde a eleição de Donald Trump, a UE tem se deparado com uma série de decisões unilaterais e imprevisíveis por parte do governo norte-americano, que têm gerado preocupações em relação à segurança europeia. Além disso, a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã e do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF) tem aumentado as tensões entre os dois blocos.
Outro fator importante é a necessidade de uma resposta mais efetiva da UE às ameaças à segurança, como o terrorismo, a cibersegurança e a instabilidade em suas fronteiras. A UE tem sido criticada por sua falta de capacidade de defesa, o que a torna dependente da OTAN e dos Estados Unidos para garantir sua segurança. Com a busca pela autonomia, a UE pretende fortalecer suas próprias capacidades militares e se tornar mais autossuficiente.
No entanto, essa estratégia tem gerado preocupações entre os aliados norte-americanos. Os Estados Unidos veem a Europa como um importante parceiro na manutenção da segurança global e temem que a busca pela autonomia possa enfraquecer a aliança transatlântica. Além disso, a dependência da UE em relação à tecnologia e equipamentos militares norte-americanos é uma importante fonte de receita para a indústria de defesa dos Estados Unidos.
Essa tensão ficou evidente em julho deste ano, quando os Estados Unidos ameaçaram impor sanções à França, Alemanha e Reino Unido por causa do acordo para o desenvolvimento de um sistema de defesa aérea europeu, o FCAS (Future Combat Air System). Os Estados Unidos alegaram que esse acordo poderia prejudicar a interoperabilidade com as forças norte-americanas e ameaçaram retirar sua cooperação em outras áreas de defesa.
No entanto, a UE tem buscado formas de contornar essas preocupações. Em junho deste ano, foi criado o Fundo Europeu de Defesa, que tem como objetivo financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias militares europeias. Além disso, a UE tem buscado parcerias com outros países, como o Japão e a Austrália, para fortalecer sua capacidade de defesa.
É importante ressaltar que a busca pela autonomia não significa o fim da parceria entre a UE e os Estados Unidos. A aliança transatlântica continua sendo fundamental para a segurança global e a UE reconhece a importância dos Estados Unidos como aliado. No entanto, a UE também entende a necessidade de se fortalecer e se torn



