No final do mês de julho, o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, fez uma declaração que gerou grande repercussão. Durante uma entrevista, ele afirmou que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agia como um “ativo soviético” e que ele e o líder russo, Vladimir Putin, possuíam uma “convergência estratégica”. As palavras do presidente foram prontamente comentadas por diversos setores da sociedade, incluindo o bloquista Francisco Louçã.
Louçã é um economista e político português, conhecido por seu papel como um dos fundadores do Bloco de Esquerda, partido de esquerda radical e que tem crescido em popularidade nos últimos anos. Em entrevista à imprensa, Louçã comentou as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, discutindo o que elas significam e qual o contexto político por trás delas.
De acordo com o bloquista, a afirmação de que Donald Trump agia como um “ativo soviético” não é exatamente correta, mas também não pode ser considerada totalmente equivocada. Louçã explica que a União Soviética, extinta em 1991, era um país socialista, com ideais e políticas diferentes das adotadas pelos Estados Unidos e seus aliados. No entanto, o líder russo atual, Vladimir Putin, não possui a mesma ideologia socialista, mas sim uma abordagem autoritária e nacionalista. Portanto, dizer que Trump atuava como um “ativo soviético” é equivocado, mas há sim uma ligação entre ele e o presidente russo.
Louçã ainda ressalta que essa relação entre Trump e Putin não é uma novidade e tem sido amplamente discutida pelos meios de comunicação e pela classe política. Segundo ele, a “convergência estratégica” entre os dois líderes é uma aliança que tem se fortalecido nos últimos anos, com a ascensão de um discurso populista e nacionalista em ambos os países. Isso pode ser visto, por exemplo, no apoio de Trump à Rússia em questões como a anexação da Crimeia, em 2014, e nas críticas ao Tratado de Redução de Armas Nucleares, assinado entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética em 1991.
O bloquista também aponta que a relação entre Trump e Putin pode ser vista como uma ameaça para a democracia e para as relações internacionais. Em suas palavras, “essa aliança é uma tentativa de enfraquecer as instituições e valores democráticos, como a liberdade de imprensa e a independência do judiciário, e de se impor como uma potência mundial”. Louçã ainda destaca que essa aproximação entre os dois líderes pode levar a uma nova ordem mundial, baseada em princípios autoritários e nacionalistas, em contraposição à ordem democrática e liberal vigente.
Além disso, o bloquista também ressalta a influência que essa relação pode ter nas relações internacionais como um todo. Segundo ele, a aliança entre Trump e Putin pode dificultar a resolução de conflitos globais, como a crise na Síria e as tensões entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos. Isso porque ambos têm interesses próprios e podem agir em conjunto para atingi-los, mesmo que isso signifique minar a cooperação internacional.
No entanto, Louçã faz uma observação importante sobre a declaração de Marcelo Rebelo de Sousa. Na opinião do bloquista, apesar de sua importância, o Presidente da República Portuguesa não possui legitimidade para fazer afirmações sobre as relações internacionais, pois essa é uma atribuição do Ministério dos Negócios Estrange



