A pesquisa realizada pela bióloga Renata Norbert, do Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (INCQS/Fiocruz), sobre a substituição de camundongos por ensaios in vitro para controle da qualidade de soros contra o veneno de cobras do gênero Bothrops, é mais uma grande conquista para a ciência e o bem-estar animal.
O trabalho premiado pela Sociedade Europeia para Alternativa de Testes em Animais, no 13º Congresso Mundial de Alternativas ao Uso de Animais, também recebeu menção honrosa do Centro Nacional para a Substituição, Refinamento e Redução de Animais em Pesquisa, organização científica britânica. Isso mostra a importância e relevância do estudo de Renata para a comunidade científica internacional.
O gênero Bothrops é composto por serpentes da família Viperidae, popularmente conhecidas como jararacas, cotiaras e urutus. A picada dessas serpentes é a causadora do maior número de acidentes com cobras no Brasil, sendo responsável por cerca de 90% dos casos. Somente este ano, o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) registrou 12 mil acidentes desse tipo.
A pesquisa de Renata Norbert vem sendo desenvolvida há algum tempo, com o objetivo de substituir os camundongos utilizados nos testes de controle de qualidade de soros contra o veneno de cobras. Além do sofrimento causado aos animais, essa prática também acarreta em altos custos e resultados mais demorados. A partir do método in vitro desenvolvido pela bióloga, os ensaios podem ser realizados de forma mais rápida, barata e sem a necessidade de sacrificar os animais.
A cadeia produtiva de antivenenos envolve diversas etapas, e em todas elas é necessário um controle interno para garantir a qualidade do produto. No entanto, a validação desses soros é feita através de testes em camundongos, o que gera um grande impacto negativo na população desses animais. Com a metodologia de Renata, que utiliza células Vero cultivadas em laboratório, é possível obter resultados mais precisos e confiáveis em um curto período de tempo.
A metodologia in vitro, que consiste em fixar as células Vero em placas e adicionar uma mistura de soro com veneno, mostra-se eficaz e menos cruel. Caso as células permaneçam intactas, significa que o soro é aprovado, pois conseguiu inibir a ação do veneno. Já se houver algum efeito tóxico, o soro é considerado reprovado. Além disso, essa técnica também pode ser adotada pelos produtores de antivenenos, eliminando a necessidade de utilizar camundongos nos testes.
O estudo de Renata Norbert está na última fase de validação, que inclui a reprodutibilidade em outros laboratórios para comprovar a eficácia do método. A expectativa é que a pesquisa seja colocada em prática a partir de março de 2026, após ser submetida à farmacopeia brasileira. A partir disso, serão montados kits de ensaios para que outros laboratórios possam realizar a metodologia e comparar os resultados.
O reconhecimento internacional obtido pelo estudo de Renata Norbert é um grande estímulo para dar continuidade à pesquisa e expandi-la para outros países onde as serpentes do gênero Bothrops também são encontradas, como a Costa Rica. Uma vez que o método é eficaz para Bothrops jararaca, é possível que também seja aplicado em outras espécies de serpentes do mesmo gênero.
Além de ser um grande avanço para a ciência, a substituição dos



