Familiares de mortos na Operação Contenção no Rio de Janeiro enfrentam momentos difíceis ao aguardar a liberação dos corpos nesta quinta-feira (30). Com a quantidade de corpos, o processo de perícia no Instituto Médico Legal (IML) da capital está demorando mais do que o esperado e a falta de informações está gerando ainda mais angústia para as famílias.
Samuel Peçanha, trabalhador de serviços gerais, é um dos familiares que está à procura de informações sobre o filho Michel Mendes Peçanha, de apenas 14 anos. A família mora em Queimados, na Baixada Fluminense, mas o filho costumava frequentar o Complexo da Penha e estava no local no dia da Operação, depois de participar de um baile funk.
“Já faz dois dias que eu estou procurando alguma informação e até agora nada. Meu filho me disse que iria voltar para casa depois do baile, mas depois disso o telefone dele ficou mudo. As pessoas da comunidade dizem que todos foram empurrados para a mata. É nosso filho, nós só queremos o direito de enterrá-lo”, desabafou Samuel.
Lívia de Oliveira também aguarda ansiosamente pela liberação do corpo do marido Douglas de Oliveira. Ela conta que desde terça-feira está buscando informações e que a situação é muito angustiante. “Como podemos dormir com essa incerteza? É desesperador”, desabafou.
Outra família que enfrenta dificuldades é a dos pais de Yago Ravel, de apenas 19 anos. Eles reivindicavam o direito de reconhecer o corpo do filho, que foi encontrado decapitado. O pai de Yago, Alex Rosário da Costa, protestou por ter tido que assinar o atestado de óbito sem poder ver o corpo. “O meu filho foi espancado, executado e tiveram a audácia de arrancar a sua cabeça. Eu nunca pude ver o corpo dele. Ele foi encontrado com o corpo no chão e a cabeça em cima de uma árvore. Isso é uma carnificina”, desabafou o pai.
De acordo com Victor Santos, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, todas as pessoas que foram mortas durante a Operação Contenção serão identificadas até o final de semana. Até o momento, cerca de 100 corpos já foram identificados, mas os nomes não foram divulgados.
Enterro
Além da demora para obter informações, as famílias dos mortos na operação também enfrentam outro dilema: os custos funerários. Elas precisam escolher entre pagar por um sepultamento particular, com um valor mínimo de R$ 4 mil, ou aceitar o enterro gratuito fornecido pela prefeitura, que acontece sem direito a velório e com o caixão fechado. Para facilitar os trâmites, a Defensoria Pública montou um posto de atendimento no IML.
O defensor público André Castro explica que, caso a família não se enquadre nos critérios para solicitar o enterro gratuito, ela pode ter direito ao serviço mediante o pagamento de uma tarifa social. “Não é necessário uma ação judicial, nós estamos fazendo a orientação para as famílias e o contato direto com as funerárias. No entanto, temos críticas quanto às condições do enterro, que é realizado sem velório e em caixão fechado. Não acreditamos que seja uma forma digna de se despedir de um ente querido. Mas muitas famílias não têm condições financeiras para arcar com os custos”, afirmou.
Operação Contenção
A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, resultou em cerca de 120 mortes, incluindo quatro policiais



