Na manhã de ontem, dia 10 de março, o programa matinal “Encontro”, da TV Globo, exibiu uma entrevista que levantou polêmicas nas redes sociais e pode resultar em um processo judicial para a emissora. A entrevista em questão foi com o pai de uma vítima de um crime que chocou o país. O homem, que não teve seu nome divulgado para preservar sua identidade, falou sobre o ocorrido e as consequências de ter perdido sua filha de forma tão trágica.
O caso em questão é o assassinato de Laura, uma jovem de 19 anos, que foi vítima de feminicídio pelo ex-namorado. O crime aconteceu em 2019, mas a dor da perda ainda é muito presente na vida do pai e de toda a família. Porém, ao invés de abordar a história com sensibilidade e empatia, o “Encontro” optou por uma abordagem completamente equivocada.
Durante a entrevista, o pai da vítima foi questionado sobre os momentos finais de Laura e sua reação diante do fato. Com tom sensacionalista, a apresentadora do programa, Fátima Bernardes, insistiu em detalhes íntimos e perturbadores, desrespeitando a dor e a privacidade da família. Além disso, a falta de preparo para lidar com um assunto tão delicado foi evidente quando o pai foi confrontado com imagens da filha sendo carregada em um caixão.
A repercussão imediata nas redes sociais não poderia ser diferente. As críticas à postura do programa e de sua apresentadora foram imensas, com muitos internautas classificando a entrevista como sensacionalista e irresponsável. Alguns usuários também apontaram que a abordagem do assunto poderia gerar até mesmo um processo por parte da família.
Em nota, a emissora se defendeu, alegando que a entrevista foi acordada previamente com a família e que em nenhum momento houve a intenção de causar desconforto ou constrangimento. Porém, os relatos de pessoas próximas à família contradizem essa versão, afirmando que o programa não mostrou respeito e empatia com a situação.
É importante ressaltar que o espaço na mídia deve ser utilizado com responsabilidade e ética, principalmente quando se trata de assuntos delicados como a perda de um ente querido. A família da vítima estava buscando justiça e não serviu de entretenimento para um programa de TV.
Infelizmente, a entrevista no “Encontro” não é um caso isolado. Em busca de audiência, muitos veículos de comunicação optam por sensacionalizar acontecimentos trágicos e invadir a privacidade de pessoas que já estão passando por momentos difíceis. Isso precisa ser repensado e combatido, para que situações como essa não se repitam e sejam evitadas.
Além disso, é preciso que a sociedade se una em prol de uma cultura de respeito e empatia. Comentários desnecessários e invasivos em situações sensíveis como essa só geram mais dor e sofrimento. Todos nós precisamos ter mais cuidado com nossas ações e palavras, principalmente quando se trata da dor alheia.
Para o pai da vítima, o que importa agora é a busca por justiça e pelo combate à violência contra a mulher. Ele e sua família não merecem ser expostos e reviver traumas em rede nacional. É preciso que a justiça seja feita e que situações como essa não se repitam. Mais do que nunca, a empatia e o respeito devem ser os principais valores na sociedade atual.



