Um trágico caso de feminicídio chocou a cidade de Guarantã do Norte, no estado do Mato Grosso, no último sábado (3). Uma jovem de apenas 15 anos, que havia acabado de completar seu aniversário, foi vítima de um disparo de arma de fogo enquanto estava no carro com seu namorado, um médico de 28 anos. O crime causou comoção na região e reacendeu a discussão sobre a violência contra a mulher.
Segundo relatos da polícia, o casal estava em um relacionamento há cerca de um ano e meio e, apesar da diferença de idade, aparentava estar em um relacionamento saudável. No entanto, na noite do crime, uma discussão teria acontecido entre os dois e o médico teria atirado contra a adolescente, que não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.
A notícia do assassinato ganhou repercussão nacional e gerou revolta na população. Em meio à comoção, o médico suspeito de cometer o crime se entregou à polícia na última segunda-feira (6). Em seu depoimento, ele alegou que o tiro foi acidental e que não tinha a intenção de matar a namorada.
No entanto, as investigações apontam para uma possível relação abusiva entre o casal, o que reforça a hipótese de feminicídio. De acordo com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em 2020, o Brasil registrou um aumento de 1,9% nos casos de feminicídio em relação ao ano anterior. Além disso, a cada 100 casos de homicídio de mulheres, 21 são classificados como feminicídio.
É preciso destacar que o feminicídio não é um crime passional, como muitos pensam, mas sim um ato de violência de gênero motivado pelo machismo e pela cultura do patriarcado. Em muitos casos, o agressor não aceita o fim do relacionamento ou tenta exercer controle sobre a vida da vítima, culminando em um desfecho trágico como esse.
Diante dessa triste realidade, é fundamental que a sociedade se una para combater a violência contra a mulher. É preciso quebrar o silêncio e denunciar qualquer tipo de agressão, seja física, psicológica, sexual ou patrimonial. Além disso, é necessário que os órgãos competentes atuem de forma efetiva na prevenção e punição desses crimes, garantindo justiça para as vítimas e suas famílias.
É importante também que a educação e conscientização sobre a igualdade de gênero sejam incentivadas desde cedo, a fim de desconstruir os estereótipos de gênero e promover relações saudáveis e respeitosas entre homens e mulheres.
Neste momento de luto e indignação, é preciso lembrar que a vida da adolescente tirada de forma brutal tinha valor e que todas as vítimas de feminicídio merecem justiça. A violência contra a mulher não pode ser tolerada e devemos lutar por uma sociedade mais igualitária e justa para todas as mulheres.



