A última quinta-feira, 31 de maio, foi um dia agitado no mercado financeiro brasileiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, registrou uma queda de 0,54%, encerrando o dia com 76.328 pontos. Mas o que chamou a atenção foi que, apesar do cenário de instabilidade política e econômica, o índice não caiu tanto quanto se esperava após o anúncio do tarifaço do presidente americano, Donald Trump.
Mas por que isso aconteceu? A resposta está na valorização das ações de mineração e siderurgia, que funcionaram como um contrapeso importante para a queda do Ibovespa. Enquanto algumas empresas sentiram o impacto da nova tarifa imposta por Trump, outras se beneficiaram com a alta do preço do minério de ferro.
O setor de mineração e siderurgia é um dos pilares da economia brasileira, representando cerca de 4% do PIB nacional. Por isso, qualquer movimentação no preço do minério de ferro tem um impacto significativo no mercado brasileiro. E foi exatamente isso que aconteceu na última quinta-feira.
A alta de 1,4% no preço do minério de ferro na China, principal comprador do produto brasileiro, impulsionou as ações de empresas como Vale e CSN. A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, teve um aumento de 1,4% em suas ações, enquanto a CSN, maior produtora de aço do Brasil, teve um aumento de 2,1%.
Além disso, a alta do dólar também contribuiu para a valorização das ações dessas empresas. Com o aumento do preço do minério de ferro e o dólar mais valorizado em relação ao real, as exportações do setor se tornaram ainda mais atrativas, o que trouxe ganhos para as empresas e seus investidores.
Mas enquanto o setor de mineração e siderurgia se beneficiava com a alta do minério, outros setores sentiam o impacto da nova tarifa de Trump. As ações de empresas ligadas ao setor de papel e celulose, por exemplo, tiveram uma queda significativa, já que a China é um dos principais compradores desses produtos brasileiros e pode reduzir suas importações devido à nova tarifa.
No entanto, a queda dessas ações foi amenizada pela alta do dólar, que beneficia as exportações do setor. Além disso, as empresas do setor de papel e celulose têm uma boa diversificação de mercado, o que minimiza os impactos de uma possível redução nas exportações para a China.
Outro fator que contribuiu para a estabilidade do Ibovespa foi a atuação do Banco Central, que realizou leilões de swap cambial para conter a alta do dólar. Essa medida também teve um efeito positivo no mercado, já que uma moeda mais valorizada pode trazer prejuízos para empresas que possuem dívidas em dólar.
No geral, podemos dizer que o Ibovespa se comportou de forma surpreendente diante de um cenário tão instável. A valorização das ações de mineração e siderurgia, aliada à atuação do Banco Central, amenizou os impactos da nova tarifa de Trump e trouxe um equilíbrio para o mercado brasileiro.
É importante ressaltar que a volatilidade é uma característica do mercado financeiro e, em momentos de incerteza, é fundamental manter a calma e analisar os cenários com cautela. Ações de empresas sólidas e bem estruturadas, como as do setor de mineração e siderurgia, podem ser uma boa opção para investidores que buscam maior estabilidade em suas carteiras.
Ainda é cedo para afirmar qual será o impacto real da nova tarifa



