Considerado um dos mestres do teatro contemporâneo, Bob Wilson era presença habitual em Portugal. Com sua genialidade e criatividade, ele conquistou o público português e deixou um legado marcante na história do teatro no país.
Nascido em Waco, no Texas, em 1941, Robert Wilson é um renomado diretor, cenógrafo e coreógrafo que se destacou no cenário teatral internacional. Com formação em arquitetura e pintura, Wilson trouxe para o teatro uma estética visual única, caracterizada por movimentos lentos e precisos, cenários minimalistas e iluminação marcante.
Sua primeira passagem por Portugal foi em 1974, quando apresentou a peça “A Vida e a Morte de Maria Stuart” no Festival de Teatro de Almada. A partir daí, Wilson se tornou um nome recorrente nos palcos portugueses, encantando o público com suas obras inovadoras e provocativas.
Nos anos 80, ele criou uma parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, onde montou diversas peças, como “Einstein on the Beach” e “A Última Gravação de Krapp”. Suas produções sempre foram marcadas por um forte diálogo entre a música, a dança e o teatro, resultando em espetáculos multidisciplinares e impactantes.
Em 1993, Wilson fundou o Watermill Center, um laboratório de artes em Nova York, que se tornou um importante centro de pesquisa e criação artística. O local recebeu artistas de todo o mundo, incluindo portugueses, que tiveram a oportunidade de trabalhar com Wilson e absorver sua visão única sobre o teatro.
Além de suas produções teatrais, Bob Wilson também se destacou no cinema e na ópera. Em 2005, ele dirigiu a ópera “A Floresta” de Dvorák, no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, e em 2014, foi responsável pela encenação de “Madama Butterfly” no Teatro Nacional de São Carlos e no Teatro Nacional de São João, no Porto.
Sua influência no teatro português é inegável. Wilson foi responsável por introduzir novas técnicas e conceitos teatrais no país, influenciando gerações de artistas e encorajando o desenvolvimento de uma cena teatral mais experimental e ousada.
Além disso, sua presença constante em Portugal também contribuiu para o intercâmbio cultural entre o país e os Estados Unidos, abrindo portas para novas colaborações e parcerias artísticas.
Bob Wilson recebeu inúmeros prêmios e honrarias ao longo de sua carreira, incluindo o Leão de Ouro de Veneza e o Prêmio da Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian. Seu trabalho continua a ser celebrado e admirado por todo o mundo, e seu legado no teatro português será eternamente lembrado.
Infelizmente, Bob Wilson faleceu em janeiro de 2022, deixando um vazio no mundo das artes. Mas seu impacto e sua genialidade continuarão a inspirar e influenciar artistas e espectadores por muitas gerações.
Portugal perdeu um grande mestre do teatro, mas ganhou um legado que será sempre reverenciado e celebrado. Bob Wilson deixou sua marca no país e seu nome será sempre sinônimo de inovação, criatividade e excelência no teatro contemporâneo.



