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Adolescente é morto e mutilado em centro socioeducativo de Roraima

Adolescente é morto e mutilado em centro socioeducativo de Roraima
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Crime brutal dentro do Centro Socioeducativo

Um adolescente de 16 anos foi assassinado de forma brutal dentro do Centro Socioeducativo (CSE) Homero de Souza Cruz Filho, localizado em Boa Vista, capital de Roraima. O adolescente identificado como Paulo Henrique Medeiros Soares foi vítima de um crime praticado por outros menores internados na mesma unidade. O trágico evento ocorreu no início da noite de sábado, 21 de julho, quando o adolescente foi decapitado e esquartejado dentro de um dos dormitórios da instituição.

Conforme informações divulgadas pelo coronel Elias Santana, comandante do Policiamento da Capital (CPC), o adolescente foi morto por integrantes ligados a uma facção criminosa que também operava dentro da unidade. De acordo com as investigações preliminares, não houve confronto e nenhuma outra pessoa foi ferida durante o incidente.

Detalhes da execução dentro da unidade

O coronel Elias Santana descreveu o crime como um ato planejado e executado com extrema brutalidade. "Os adolescentes realizaram uma espécie de ritual, cantando e batendo palmas enquanto cometiam o assassinato. Durante essa ação, arrancaram a cabeça, um braço e as vísceras da vítima", relatou o comandante em entrevista coletiva.

Pelo menos 15 adolescentes que compartilhavam o mesmo dormitório com Paulo Henrique foram conduzidos à Central de Flagrantes para interrogatório. O corpo da vítima foi recolhido pelo Instituto Médico Legal para realização da necropsia e confirmação das circunstâncias do falecimento.

Histórico da vítima e infiltração de rival

Conforme revelado pelas autoridades, Paulo Henrique Medeiros Soares estava internado há poucos dias no CSE. O adolescente havia sido apreendido na quinta-feira anterior, 19 de julho, acusado de roubo de um celular no bairro São Vicente. Seu tempo reduzido de internação sugere que ele ainda estava em processo de adaptação na unidade.

Segundo servidores do centro socioeducativo, o adolescente estava alocado no bloco C, junto com outros internos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, durante sua permanência na unidade, foi descoberto que Paulo Henrique pertencia ao Comando Vermelho (CV), organização rival do PCC.

Uma servidora que preferiu não ser identificada confirmou essa versão: "Ao entrar na unidade ele disse ser integrante do PCC, mas lá dentro foi identificado como membro do grupo rival por causa de uma tatuagem. Tudo indica que foi morto por isso". A identificação da filiação do adolescente a uma facção rival teria motivado o ataque que resultou em sua morte.

Descoberta do corpo pelos funcionários

O corpo de Paulo Henrique foi encontrado por volta das 18h45 de sábado, durante a troca das equipes de plantão do centro socioeducativo. Os funcionários que descobriram a cena relataram ter encontrado a vítima com sinais claros de violência extrema, caracterizando o homicídio como um dos crimes mais violentos registrados na instituição.

As armas utilizadas no ataque foram identificadas como artesanais, fabricadas dentro da própria unidade pelos internos. Isso indica que houve planejamento prévio e acesso a materiais cortantes dentro do dormitório, revelando falhas significativas nos protocolos de segurança.

Segunda morte no ano dentro da instituição

Este homicídio representa a segunda morte registrada no Centro Socioeducativo Homero de Souza Cruz Filho durante o ano de 2024. A primeira morte tinha sido registrada no mês de maio, sinalizando um padrão preocupante de violência letal dentro da unidade de internação.

Os números crescentes de óbitos dentro do sistema socioeducativo de Roraima reforçam as críticas quanto à capacidade do estado em garantir a segurança dos adolescentes internados. As autoridades enfrentam pressão para implementar medidas mais eficazes de proteção.

Medidas de segurança e separação de facções

Como estratégia de prevenção de conflitos, desde o ano anterior, o CSE mantém internos de facções rivais em áreas separadas da instituição. Apesar dessa política de segregação, o clima dentro da unidade permanece tenso e instável, com riscos constantes de violência entre os grupos.

A situação de segurança dentro do centro socioeducativo se agravou com uma série de rebeliões registradas nas semanas anteriores ao homicídio. Por essa razão, a unidade passa por uma reforma emergencial para tentar restaurar as condições mínimas de operação e segurança.

Superlotação e medidas de contenção

Na primeira semana de julho, poucos dias antes do homicídio de Paulo Henrique, cerca de 20 adolescentes internados no CSE foram mantidos detidos dentro de dois furgões do sistema penitenciário. Segundo informações da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc), essa medida extraordinária foi implementada para garantir a segurança dos jovens, uma vez que vários dormitórios haviam sido destruídos durante as rebeliões e ficaram inutilizáveis.

A decisão de confinar adolescentes em veículos reflete o nível crítico de superlotação e falta de infraestrutura adequada enfrentado pelo sistema socioeducativo de Roraima. As condições precárias contribuem para o aumento da tensão entre os internos e criam ambientes propícios para conflitos violentos como o que resultou na morte de Paulo Henrique Medeiros Soares.

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