Borges: fotovoltaica não é moda, é diversificação
A energia solar como pilar da estratégia energética angolana
João Baptista Borges, Ministro da Energia e Águas, rejeitou categoricamente a ideia de que a aposta na energia fotovoltaica em Angola responde a uma tendência passageira. Em declarações transmitidas pela televisão pública a 11 de setembro de 2026, o governante contextualizou a integração do solar como uma medida estrutural de diversificação do mix energético nacional, longe de modismos ou pressões externas.
A posição de Borges reflete uma visão estratégica clara sobre os desafios que Angola enfrenta no sector energético. O país, historicamente dependente da geração hidroeléctrica, concentra grande parte da sua capacidade produtiva em fontes hídricas vulneráveis a variações climáticas e períodos de seca. A diversificação não é, portanto, um capricho de marketing, mas uma necessidade estrutural para garantir segurança energética e autonomia decisória.
Redução de riscos através da diversificação
Um mix energético robusto funciona como amortecedor contra incertezas. Quando uma economia ou um país coloca todos os seus ovos no mesmo cesto, qualquer perturbação nessa fonte única repercute-se em cascata. Em Angola, a predominância da energia hidroeléctrica significa que períodos de pluviosidade anormal provocam cortes de energia, afectando a produção industrial, os serviços e o abastecimento doméstico.
A fotovoltaica oferece uma resposta complementar. A radiação solar em Angola é abundante e previsível ao longo do ano, permitindo gerar eletricidade de forma consistente numa região que recebe entre 5 e 6 quilowatts-hora por metro quadrado por dia. Esta característica climática transforma a energia solar numa vantagem comparativa natural que não pode ser ignorada.
Borges apontou que esta diversificação reduz a vulnerabilidade do sistema. Quando várias fontes operam simultaneamente, a rede ganha redundância. Se a capacidade hidroeléctrica diminuir num período de seca, o solar mantém a produção. Se há nuvens densas num dia, a água dos reservatórios continua a fornecer energia. Esta resiliência é fundamental para um país que pretende industrializar e atrair investimento externo baseado em fornecimento estável.
Economia de custos operacionais e financeiros
A integração de energia fotovoltaica reduz igualmente os custos operacionais do sistema. A geração solar tem despesas variáveis praticamente nulas após a instalação dos painéis. A água, por sua vez, exige manutenção contínua de barragens, sistemas de irrigação e redes de distribuição que implicam custos elevados.
Diversificar significa também distribuir investimentos. Em vez de investir miliões em expansão exclusiva de capacidade hidroeléctrica, que requer estudos longos, expropriações e impacto ambiental, a energia solar oferece ciclos de implementação mais curtos. Projectos solares podem ser construídos em meses, não em anos, com retorno financeiro acelerado.
Do ponto de vista macroeconómico, a redução de custos energéticos torna a eletricidade mais acessível. Quando a produção custa menos, o preço ao consumidor baixa, incentivando empresas e famílias a eletrificar mais serviços. Isto estimula a economia, cria empregos na instalação, operação e manutenção, e reduz a pressão sobre os cofres públicos.
Fiabilidade do sistema e gestão inteligente da procura
Um sistema energético fiável não se constrói sobre uma única tecnologia. João Baptista Borges sublinhou que a confiabilidade surge da complementaridade e da previsibilidade. O solar funciona durante o dia com picos ao meio dia, coincidindo frequentemente com períodos de maior consumo industrial. A energia hidroeléctrica fornece base 24 horas e pode ser modulada conforme necessário.
A gestão inteligente da procura torna-se possível quando há escolha de fontes. Com dois ou mais recursos disponíveis, o operador da rede pode despachar energia de forma otimizada: usar solar quando está disponível, guardar água nos reservatórios para períodos nocturnos ou de pior insolação, e balancear a carga conforme a demanda real.
Esta flexibilidade operacional é essencial num contexto de crescimento económico. Angola prevê aumentos significativos de consumo de eletricidade. Sem diversificação, a rede não consegue responder a picos de procura sem risco de colapso. Com solar, hidroeléctrica e potencialmente outras fontes como eólica ou biomassa, o sistema absorve crescimento com segurança.
Integração de renováveis na rede e modernização
A integração de energias renováveis na rede exige investimento em tecnologia. Painéis solares, inversores, sistemas de armazenamento de energia e controladores inteligentes representam uma modernização do parque energético nacional. Esta actualização tecnológica não é um efeito colateral, mas um benefício estrutural.
A rede se torna mais digital, mais controlável, mais eficiente. Sistemas de monitorização em tempo real permitem antecipar falhas. Algoritmos de despacho otimizam o fluxo de energia. A qualidade do fornecimento melhora. Tudo isto reduz perdas técnicas que, em muitas redes africanas, rondam os 20 por cento, representando desperdício e ineficiência.
Borges enfatizou que esta modernização alinha Angola com padrões internacionais. Investidores globais confiam em redes baseadas em tecnologia moderna e em diversificação. Uma economia que aposta em energia diversificada e renovável atrai fundos de desenvolvimento, parcerias internacionais e tecnologia de ponta.
Contexto político e compromisso nacional
As declarações do Ministro da Energia e Águas refletem compromisso com uma visão de longo prazo, não com slogans eleitorais. A diversificação energética é política de Estado, integrada em planos nacionais de desenvolvimento e reconhecida por organismos internacionais como necessária para a sustentabilidade.
A rejeição explícita da fotovoltaica como moda responde também a críticas internas que questionam o investimento solar como distracção. Borges respondeu com argumentos técnicos, económicos e estratégicos sólidos. A energia solar não é um luxo ou uma concessão a pressões ambientais, mas uma escolha racional baseada em vantagens comprovadas.
Angola tem o direito soberano de escolher as suas fontes energéticas. Quando essa escolha assenta em diversificação inteligente, em análise custo-benefício e em segurança de abastecimento, fortalece o país. João Baptista Borges posiciona-se como guardião dessa lógica, rejeitando impulsos ideológicos e priorizando pragmatismo.
