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Brasil atinge 98,5% da cota chinesa de carne bovina

Brasil atinge 98,5% da cota chinesa de carne bovina
Fonte: g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/07/06/brasil-praticamente-esgota-cota-de-carne-bovina-a-china-e-reduz-abates-diz-stonex.ghtml

Brasil aproxima-se do limite de exportação de carne bovina à China

A cota chinesa de carne bovina estabelecida para o Brasil em 2026 está praticamente esgotada. Segundo análise da StoneX divulgada nesta segunda-feira, o país já preencheu 98,5% do volume permitido de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida. Este cenário tem provocado mudanças significativas nas operações dos frigoríficos brasileiros, que começam a ajustar suas estratégias de produção diante da iminente saturação do principal mercado de destino.

Redução de abates por parte dos frigoríficos

A diminuição dos volumes disponíveis para exportação tem levado os frigoríficos a reduzirem os abates, especialmente no terceiro trimestre. Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explicou que embora haja expectativa de maior oferta no mercado interno e possibilidades de remanejamento de oferta, a primeira reação da indústria foi diminuir as operações. A executiva destacou ainda que o atingimento da cota chinesa de carne bovina motivou as férias coletivas em massa nos frigoríficos do Mato Grosso nos últimos dias.

Cronograma de preenchimento da cota

De acordo com a StoneX, o Brasil já exportou 98,5% da cota chinesa considerando os embarques realizados desde novembro do ano passado até 30 de junho de 2026. Quando se leva em conta os dados de internalização na China – ou seja, a carne que efetivamente já desembarcou no país – o Brasil havia preenchido 72% da cota até o final de junho. Com os aproximadamente 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada na China, o saldo brasileiro deve ser preenchido até agosto.

Recordes nas exportações do primeiro semestre

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram patamares inéditos no primeiro semestre de 2026. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o volume total embarcado foi de 1,705 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 9,85 bilhões. Boa parte desta aceleração nos embarques ocorreu em função das cotas de exportação à China estabelecidas para 2026, conforme informações da StoneX.

Perspectivas para o quarto trimestre e próximas cotas

A expectativa é que as exportações brasileiras à China retornem no quarto trimestre, impulsionadas pelo início da nova cota de 2027. Este ciclo segue o padrão estabelecido pelas restrições tarifárias chinesas, que protegem a produção interna do país através da implementação de cotas com tarifa reduzida. A China, como maior importador da carne bovina brasileira, utiliza este mecanismo para equilibrar o mercado doméstico.

Situação global de exportadores de carne

Além do Brasil, a Austrália também já esgotou sua cota de exportação à China. Conforme apontado no relatório da StoneX, os principais fornecedores deixarão de abastecer o mercado chinês a partir de meados do terceiro trimestre. Enquanto isso, Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda possuem espaço relevante em suas cotas, mas existem dúvidas quanto à capacidade de preenchê-las, considerando a disponibilidade mais limitada desses países para exportação de carne bovina de qualidade competitiva.

Impactos no mercado interno

A redução dos abates também reflete expectativas sobre o mercado interno brasileiro. Com menor volume destinado à exportação, há possibilidade de maior oferta de carnes no mercado doméstico nos próximos meses. Além disso, existe a perspectiva de remanejamento de oferta entre diferentes períodos, estratégia que visa otimizar a rentabilidade dos frigoríficos diante das limitações impostas pelas cotas internacionais. Este cenário evidencia como as políticas comerciais externas impactam diretamente a dinâmica produtiva e de preços no mercado brasileiro.

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