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Brasil e EUA marcam encontro para negociar tarifas comerciais

Brasil e EUA marcam encontro para negociar tarifas comerciais
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Encontro presencial confirmado para negociações comerciais

O Brasil e os Estados Unidos confirmaram oficialmente um encontro presencial focado em negociações sobre tarifas comerciais. A reunião será realizada entre 30 de setembro e 1º de outubro, durante uma assembleia preparatória do G20 nos EUA. Essa será a primeira oportunidade de diálogo cara a cara entre os representantes dos dois países desde o reinício das discussões sobre as medidas tarifárias impostas pelo governo americano.

O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, confirmou pessoalmente a informação. Ele viajará acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, até Milwaukee para o encontro com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).

Detalhes do evento e participantes

A reunião preparatória do G20 prevista para esse período contará com a participação de ministros de Indústria e Comércio de diversos países. Segundo Márcio Elias Rosa, a agenda bilateral será extensa, incluindo reuniões com representantes de praticamente todos os membros do G20. Porém, o encontro dedicado especificamente às negociações sobre as sobretaxas será o destaque principal da delegação brasileira.

O ministro revelou que as equipes técnicas dos dois países vêm mantendo contato contínuo, trocando documentos e preparando o terreno para esse encontro presencial. Essa comunicação bilateral paralela visa facilitar as discussões de maior envergadura que ocorrerão em Milwaukee.

Situação atual das negociações

Quando questionado sobre a possibilidade de um acordo estar próximo, Márcio Elias Rosa foi cauteloso. O ministro descartou a existência de qualquer acordo fechado no momento, informando que desde o último diálogo virtual, as equipes continuam no processo de análise e troca de propostas. A próxima conversa presencial deverá permitir uma avaliação mais profunda das posições de ambos os lados.

Origem das medidas tarifárias impostas pelos EUA

As sobretaxas sobre produtos brasileiros resultam de uma investigação formal conduzida pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). O governo americano apontou supostas práticas comerciais e regulatórias consideradas desleais, citando diversos motivos para as restrições:

Entre as principais acusações estão barreiras que dificultariam a entrada do etanol norte-americano no mercado brasileiro. Os EUA também manifestam preocupações relacionadas ao sistema PIX e seu funcionamento competitivo. Decisões judiciais brasileiras contra plataformas de redes sociais e questões ligadas à tributação digital também estão na lista de motivos. Adicionalmente, há demandas americanas focadas em combate ao desmatamento ilegal, corrupção e proteção de propriedade intelectual.

Estrutura das alíquotas tarifárias

As exportações brasileiras foram submetidas a diferentes regimes tarifários conforme a natureza dos produtos. A maior parte dos bens enfrenta uma alíquota de 25%, abrangendo produtos industriais, agrícolas processados e manufaturados. Esse grupo inclui itens como etanol, máquinas agrícolas e industriais, calçados, vestuário e equipamentos de mineração.

Certos setores da indústria siderúrgica e de metais básicos foram enquadrados em alíquotas de 50% sob justificativa de proteção das cadeias produtivas americanas. Para derivados específicos desses materiais, foram aplicadas reduções parciais, posicionando alíquotas entre 15% e 25% em períodos regulatórios determinados. Quando há sobreposição de medidas tarifárias, a alíquota final pode alcançar patamares de até 37,5%.

Produtos isentos das medidas tarifárias

Para evitar choques inflacionários internos ou desabastecimento de cadeias industriais norte-americanas dependentes de insumos brasileiros sem substituição imediata, os EUA mantiveram uma extensa lista de produtos com tarifa zero. Entre esses itens estão produtos da agropecuária básica como carne bovina e café. Cítricos brasileiros, incluindo laranjas e suco de laranja, também recebem tratamento diferenciado.

Combustíveis e energia, especialmente petróleo bruto e gás natural, permaneceram fora das tarifas de 25%. O setor aeroespacial, particularmente aeronaves civis, motores e componentes manufaturados pela Embraer, também goza de isenção. Adicionalmente, a indústria de base e setor químico, abrangendo celulose, ferro-gusa, semicondutores, medicamentos e ingredientes farmacêuticos, mantêm alíquotas reduzidas.

Perspectivas para o diálogo bilateral

A reunião presencial entre Brasil e Estados Unidos representa um momento crítico nas negociações sobre as tarifas comerciais. Ambos os lados demonstram disposição em continuar o diálogo e buscar soluções que satisfaçam os interesses de suas economias. O encontro em Milwaukee fornecerá oportunidade para discussões mais detalhadas e possível identificação de pontos de convergência entre as posições brasileiras e americanas.

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