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Carne bovina brasileira cresce 524% nos EUA em setembro

Carne bovina brasileira cresce 524% nos EUA em setembro
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Expansão extraordinária das exportações de carne bovina para o mercado americano

As exportações de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos registraram um crescimento explosivo de 524,3% em setembro, comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). Este desempenho notável reflete mudanças significativas nas dinâmicas comerciais entre os dois países, especialmente diante do contexto de medidas tarifárias implementadas pela administração Trump.

O aumento expressivo da carne bovina nos mercados americanos representa um ponto luminoso em um cenário comercial desafiador. Enquanto diversos setores da economia brasileira enfrentam retração nas vendas para os EUA, a proteína bovina conseguiu não apenas se manter competitiva, mas também expandir sua participação de forma substancial no período analisado.

Recuperação mensal versus tendência anual em queda

Apesar do impressionante avanço em setembro, os números acumulados revelam uma realidade mais complexa para o comércio bilateral Brasil-EUA. De janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 27,5 bilhões, representando uma queda de 6,5% quando comparadas ao mesmo período do ano anterior. Esta redução equivale a US$ 1,9 bilhão em vendas perdidas, configurando o menor volume para os nove primeiros meses desde 2023.

O panorama mensal, contudo, apresenta sinais de recuperação. Em setembro especificamente, as exportações totais alcançaram US$ 3,5 bilhões, marcando uma alta de 31,9% frente ao mês equivalente de 2025. Este crescimento foi sustentado por dois fatores complementares: o aumento da quantidade de produtos comercializados (3,1%) e a elevação do preço médio das mercadorias exportadas (28%).

Posição privilegiada da carne bovina entre produtos exportados

A categoria de carne bovina desfruta de uma condição particularmente favorável no atual cenário tarifário. O produto figurar entre as exceções às sobretaxas adicionais impostas pelo governo americano coloca a proteína bovina em vantagem competitiva comparada a outros itens da pauta exportadora brasileira. Junto com café solúvel, mel orgânico e pescados como a tilápia, a carne bovina permanece isenta das tarifas que atingem diversos outros produtos brasileiros.

No acumulado do ano, as vendas de carne bovina ao mercado americano cresceram impressionantes 82,9%, atingindo US$ 1,72 bilhão. Segundo análise da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), este desempenho é impulsionado por dois elementos principais. Primeiro, a implementação de uma cota adicional de importação que entrou em vigor em setembro. Segundo, a demanda robusta dos EUA, alimentada pela restrição na oferta interna de gado, consequência da fase baixa do ciclo pecuário americano.

Contraste com outros produtos da pauta exportadora

O desempenho positivo da exportação de carne bovina contrasta marcadamente com a trajetória de outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira. As vendas de petróleo bruto aos Estados Unidos recuaram 35,8% no período acumulado, enquanto as exportações de café não torrado apresentaram queda de 20%. Os produtos semiacabados de ferro, que demandam etapas adicionais de fabricação, registraram redução de 4,3%.

Esta disparidade evidencia como a isenção tarifária específica confere vantagem competitiva ao setor de proteína bovina, permitindo que este segmento se beneficie das oportunidades de mercado enquanto outros setores enfrentam pressões significativas.

Impacto setorial das tarifas comerciais

A análise das exportações brasileiras para os EUA por segmento econômico revela um padrão consistente de retração. Na agropecuária, o recuo foi de 17,8%, enquanto a indústria extrativa experimentou queda ainda mais acentuada de 32%. A indústria de transformação, que agrupa os produtos industrializados, registrou redução de 1,2%, representando a primeira contração para este período desde 2020, ano marcado pela pandemia de COVID-19.

Contrastando com o desempenho nos EUA, os demais mercados internacionais apresentam cenário de expansão. Excluídos os Estados Unidos, as exportações brasileiras cresceram 8,9% na agropecuária, 21,2% na indústria extrativa e 6,3% na indústria de transformação. Esta dicotomia reforça o impacto específico das medidas comerciais americanas na economia brasileira.

Produtos industrializados mantêm preponderância nas vendas

Apesar da retração registrada, os produtos industrializados continuam representando a maior parcela das vendas brasileiras aos americanos, concentrando 84,4% do total exportado entre janeiro e setembro. Os Estados Unidos permanecem como o principal destino para estes produtos, mantendo posição à frente da União Europeia, China e Mercosul.

Impacto das tarifas adicionais no resultado comercial

As exportações de produtos brasileiros submetidos às tarifas adicionais americana apresentaram recuperação em setembro, embora permaneçam em queda acumulada. No mês, estas vendas cresceram 28,1% em valor, alcançando US$ 1,46 bilhão. Entre os itens com as tarifas mais elevadas, de 25% a 37,5%, a alta foi de 27,8%, para US$ 466,5 milhões.

Porém, de janeiro a setembro, as exportações deste último grupo recuaram 25,4%, equivalendo a US$ 1,4 bilhão em perdas. Entre os dez principais produtos exportados aos EUA sujeitos a tarifas de 25% ou 37,5%, nove registraram queda no acumulado anual. As retrações mais significativas incluem madeira de coníferas (50,6%), granitos trabalhados (34,1%) e sebo bovino (33,4%).

Importações americanas apresentam recuperação trimestral

Em movimento oposto ao das exportações, as importações brasileiras de produtos americanos voltaram a crescer em setembro. As compras somaram US$ 4,43 bilhões, alta de 2,1% comparada ao mesmo mês de 2025, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento após sete meses de retração. O avanço foi puxado principalmente pelos combustíveis, cujas importações aumentaram 108,5% em setembro.

Entre janeiro e setembro, as compras brasileiras de combustíveis totalizaram US$ 6,86 bilhões, representando crescimento de 68,5% na comparação anual. Apesar desta recuperação mensal, as importações totais de produtos americanos caíram 7,1% no acumulado do ano, para US$ 31,8 bilhões.

Déficit comercial Brasil-EUA em patamares menores

Com as importações superando as exportações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 4,3 bilhões com os Estados Unidos nos nove primeiros meses de 2026. Embora este resultado seja negativo, apresenta melhoria em termos comparativos, sendo 10,8% menor do que o registrado no mesmo período de 2025, sugerindo alguma estabilização na relação comercial entre os países.

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