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Chefe de Gabinete de Milei renuncia por escândalo patrimonial

Chefe de Gabinete de Milei renuncia por escândalo patrimonial
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/27/chefe-de-gabinete-de-milei-renuncia-apos-acusacao-de-enriquecimento-ilicito-e-ocultacao-de-patrimonio.ghtml

Chefe de Gabinete de Milei deixa cargo em meio a escândalo patrimonial

O chefe de Gabinete de Milei, Manuel Adorni, anunciou sua saída do governo argentino neste sábado (27) após envolvimento em um caso que evidencia acusações de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. A renúncia foi confirmada através de uma carta publicada pelo próprio Adorni em suas redes sociais, encerrando semanas de pressão política e investigações judiciais que abalaram a administração presidencial.

Revelação de patrimônio oculto gera crise política

Um dos colaboradores mais próximos do presidente Javier Milei admitiu ter ocultado 500 mil dólares (aproximadamente R$ 2,6 milhões) em suas declarações oficiais de bens. De acordo com Adorni, os valores referem-se a economias acumuladas através de investimentos em criptomoedas durante o período de 2014 a 2018, recursos que não foram informados nas devidas declarações patrimoniais.

Esta revelação criou uma situação particularmente delicada para o governo argentino, pois contradiz declarações anteriores prestadas pelo próprio Adorni ao Congresso Nacional. Em abril deste ano, durante sessão parlamentar, o então chefe de Gabinete afirmou categoricamente aos deputados que "nunca houve ocultação alguma" de seu patrimônio, negação que posteriormente se mostrou inconsistente com os fatos.

Investigação judicial e pressão da oposição

A Justiça Federal da Argentina iniciou investigação formal sobre o caso de enriquecimento ilícito, expandindo as apurações para incluir também denúncias sobre transações imobiliárias realizadas por Adorni. Conforme relatos, o funcionário realizou compras e reformas de propriedades avaliadas em centenas de milhares de dólares, alimentando suspeitas sobre as fontes legítimas de seus recursos financeiros.

A oposição política utilizou o escândalo para intensificar críticas ao governo Milei, argumentando que a situação evidencia falta de transparência administrativa e problemas na gestão de conflitos de interesse. A cada semana, novos detalhes sobre as transações patrimoniais de Adorni emergiam, prolongando a crise política e minando a credibilidade da administração presidencial.

Resistência inicial e pressão para saída

Adorni permaneceu no cargo durante semanas apesar das acusações graves, contando inicialmente com o apoio explícito do presidente Milei. O mandatário argentino demonstrou resistência em aceitar a demissão de seu colaborador mais próximo, tentando sustentá-lo através de explicações públicas que foram amplamente consideradas insuficientes pela opinião pública e pelos setores legislativos críticos.

Ainda na sexta-feira anterior à renúncia (26), quando Milei encontrava-se em visita oficial à Espanha, o presidente reafirmou sua intenção de manter Adorni no cargo. Milei declarou que somente demititiria o chefe de Gabinete caso a Justiça o condenasse formalmente por corrupção, posição que mudou nas horas seguintes quando aceitou finalmente a renúncia.

Carta de despedida e trajetória administrativa

Na carta de renúncia publicada nas redes sociais, Adorni dirigiu-se ao presidente com tom de gratidão e alívio. "Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra", escreveu em trecho inicial. Posteriormente, em mensagem mais longa, agradeceu novamente: "Obrigado. Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023, estou a contrariar os seus desejos. Obrigado por finalmente aceitar a minha demissão desta vez."

Manuel Adorni, aos 46 anos, havia iniciado sua carreira no governo Milei como porta-voz presidencial em 2023, função que exerceu com destaque inicial. Em novembro do ano anterior, foi promovido a chefe de Gabinete, posição de grande responsabilidade que o colocava entre os assessores mais influentes da administração presidencial argentina.

Impacto na administração e perspectivas futuras

A saída de Adorni representa significativa perda para a estrutura de governo, considerando sua proximidade com o presidente e sua relevância nas operações administrativas. A administração Milei necessitará reorganizar sua equipe de gabinete e designar novo responsável pelas funções executivas que Adorni desempenhava. O escândalo deixa marcas nas políticas de transparência governamental e reforça debates sobre accountability em instituições públicas argentinas.

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