Flávio Bolsonaro justifica filhas pela responsabilidade do cuidado

Declaração sobre maternidade e responsabilidade geracional
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou discussão ao afirmar, durante evento político nesta quarta-feira, que teve duas filhas especificamente para que elas cuidem dele quando envelhecer. A declaração levanta reflexões sobre as expectativas sociais relacionadas ao papel da mulher na família brasileira e a economia doméstica do cuidado.
Durante seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro argumentou que mulheres historicamente assumem a responsabilidade de cuidar dos idosos da família. "Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", declarou o senador fluminense.
Contexto familiar e composição da chapa
Pai de duas adolescentes, de 14 e 12 anos, fruto do relacionamento com sua esposa Fernanda Bolsonaro, dentista de profissão, Flávio Bolsonaro fez a declaração durante um evento em que anunciava oficialmente o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu companheiro de chapa para a disputa presidencial deste ano.
A economia invisível do cuidado feminino
O pré-candidato aproveitou a ocasião para discutir um tema central à economia doméstica: o trabalho não remunerado realizado por mulheres. Segundo Flávio Bolsonaro, esse segmento representa uma parcela significativa do produto interno bruto nacional quando devidamente mensurado.
"Eu tô aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria estimado se as mulheres fossem remuneradas por cuidar dos idosos, por cuidar dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", complementou o senador, enfatizando a relevância econômica das atividades domésticas e de cuidado que frequentemente recaem sobre as mulheres.
Estratégia de atração do eleitorado feminino
O evento revelou os esforços da campanha de Flávio Bolsonaro para conquistar votos entre as mulheres, que compõem 52,8% do eleitorado brasileiro. Nas semanas anteriores ao anúncio, a campanha buscou ativamente uma mulher para integrar a chapa presidencial, considerando a expressiva representação feminina no corpo eleitoral.
No entanto, questões relacionadas à neutralidade político-partidária levaram à impossibilidade dessa composição. Apesar disso, o evento contou com a presença significativa de mulheres políticas influentes, incluindo a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos.
Posicionamentos de aliadas políticas
Tereza Cristina, que havia sido cogitada para o cargo de vice-presidente, agradeceu o convite mas explicou que circunstâncias partidárias a impediam de aceitar a proposta. Por sua vez, Daniella Marques utilizou sua fala para ressaltar a importância de políticas públicas voltadas à defesa dos direitos das mulheres.
A líder do PP no Senado argumentou que a escolha de um homem como vice não representa obstáculo para a atração do voto feminino. "A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar [...] Ele é de uma área que o Brasil acha hoje que é a principal, que é a Segurança, um promotor de Justiça", afirmou Marques, destacando que outros fatores são preponderantes na decisão eleitoral feminina.
Menções a aliados e ausências notáveis
Durante seu discurso, Flávio Bolsonaro ressaltou a candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado Federal pelo Distrito Federal, prevendo sua vitória. A ausência de Michelle no evento foi justificada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que informou que a primeira-dama estaria "cuidando" de Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar.
Michelle também não participou da convenção oficial que formalizou a candidatura presidencial de Flávio, reforçando seu afastamento das atividades de campanha durante esse período específico.
Reflexões sobre a narrativa política
A abordagem de Flávio Bolsonaro sobre a economia do cuidado e o papel das mulheres na família oferece perspectiva sobre como questões de gênero e responsabilidades domésticas são articuladas no discurso político brasileiro. Ao conectar suas decisões pessoais com argumentações sobre políticas públicas, o pré-candidato traz à tona debate relevante sobre valorização do trabalho feminino invisível e remuneração adequada para atividades de cuidado essenciais à sociedade.
