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Foto de vendaval em Ipanema é fake gerada por inteligência artificial

Foto de vendaval em Ipanema é fake gerada por inteligência artificial
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Imagem viralizada é criação de inteligência artificial, não captura real do vendaval

Uma fotografia que circula amplamente nas redes sociais supostamente retratando pessoas correndo e cadeiras voando durante o vendaval que atingiu o Rio de Janeiro é, na verdade, uma fake news gerada por inteligência artificial. A imagem, compartilhada desde quinta-feira em plataformas como Instagram, Threads, X e Facebook, apresenta cenas dramatizadas do caos causado pelas fortes rajadas de vento que assolaram a região na quarta-feira (29), deixando dois mortos no bairro de Santa Teresa. Porém, a análise técnica comprova que se trata de conteúdo sintético produzido com ferramentas de IA, e não de um registro fotográfico legítimo do evento climático.

Como a imagem viralizada foi compartilhada

O conteúdo tem sido disseminado sob legendas que buscam amplificar o sensacionalismo, com frases como "O CAOS FOI TOTAL NO RIO! 🌬️😳" e "Impressionante essa imagem da ventania no Rio". A fotografia exibe elementos que parecem autênticos: pessoas em trajes de banho no calçadão de Ipanema, cadeiras de praia sendo levantadas pelo vento, coqueiros inclinados pela força das rajadas e, ao fundo, uma estrutura que se assemelha ao Morro Dois Irmãos, no Vidigal. O cenário inclui um céu encoberto, reforçando a ilusão de uma cena real captada durante a ventania que superou 100 km/h.

Detecção técnica confirma conteúdo sintético

A verificação da autenticidade foi realizada através do detector de inteligência artificial da OpenAI, empresa desenvolvedora do ChatGPT. A análise técnica apontou resultados definitivos: o material é inteiramente sintético. O relatório da ferramenta de detecção indicou a presença de "SynthID detectado", uma tecnologia que insere uma marca d'água imperceptível ao olho humano em imagens geradas com IA. Embora invisível para visualização convencional, esse selo é detectável por sistemas especializados e serve como prova de origem artificial do conteúdo.

O resultado também mencionou a ausência de "manifesto C2PA confiável proveniente da OpenAI", referência ao padrão global estabelecido pela "Coalition for Content Provenance and Authenticity". Essa coalizão internacional sem fins lucrativos criou protocolos técnicos para rastrear a procedência de conteúdos digitais, funcionando como uma "certidão de nascimento" para imagens, vídeos, áudios e textos. Empresas participantes da iniciativa, incluindo a OpenAI, disponibilizam assinaturas digitais que permitem verificar a autenticidade e o histórico de modificações de arquivos.

Distorções visuais revelam produção artificial

Além da confirmação técnica, a imagem apresenta várias distorções características de conteúdo gerado por inteligência artificial. Estas alterações, embora frequentemente imperceptíveis em visualizações rápidas no feed das redes sociais, tornam-se evidentes ao analisar a fotografia com atenção. Identificam-se problemas como: o pé de um dos homens que se mistura organicamente com o padrão do pavimento do calçadão de forma antinatural; uma pessoa que aparece deitada de ponta-cabeça sobre uma cadeira de praia; e um homem em movimento cuja perna direita parece estar duplicada, criando uma anatomia impossível.

Inconsistências com a realidade de Ipanema

Além das distorções visuais internas, a imagem apresenta incoerências com elementos reais do bairro de Ipanema. O calçadão representado na imagem sintética contém palmeiras plantadas em locais onde, na realidade, não existem essas árvores. O padrão visual do pavimento também difere significativamente do padrão real do calçadão de Ipanema, apresentando irregularidades de formato que não correspondem ao desenho geométrico atual da via. Comparações com fotografias e imagens de satélite do Google Maps revelam diferenças estruturais que confirmam que a cena foi inteiramente fabricada, não se tratando de uma manipulação de fotografia existente.

Impacto da desinformação nas redes sociais

A viralização desta fake news gerada por inteligência artificial destaca um desafio crescente para a verificação de informações na era digital. Com a sofisticação crescente das ferramentas de IA generativa, torna-se cada vez mais fácil criar imagens convincentes que enganam usuários desatentos em redes sociais. A disseminação rápida de conteúdo falso em plataformas como Instagram, Facebook, X e Threads, especialmente durante eventos climáticos severos, pode amplificar pânico, desinformação e desconfiança em relatos genuínos de eventos reais.

A recomendação dos verificadores de fatos é sempre questionar a procedência de imagens dramáticas compartilhadas durante crises climáticas ou desastres naturais. Utilizar ferramentas de verificação de IA, analisar atentamente os detalhes visuais e buscar confirmação em fontes jornalísticas confiáveis são práticas essenciais para evitar compartilhar desinformação. No caso do vendaval que realmente afetou o Rio de Janeiro em 29 de janeiro, existem muitos registros fotográficos e videogrficos autênticos disponíveis em meios de comunicação estabelecidos.

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