Laudo revela dissecação da aorta como causa da morte de Lindsey Graham

Morte do senador confirmada por laudo médico
O senador norte-americano Lindsey Graham, membro destacado do Partido Republicano pela Carolina do Sul, faleceu na noite de sábado (11) vítima de uma dissecação da aorta resultante de doença cardiovascular arteriosclerótica. Com 71 anos, Graham deixou um vasto legado político na política externa norte-americana e nas relações internacionais.
A informação sobre a dissecação da aorta foi divulgada através de resultados de autópsia liberados pelo gabinete do senador no domingo (12). Essa condição médica caracteriza-se pelo surgimento de um rasgo ou vazamento na principal artéria responsável por transportar sangue do coração para o restante do corpo humano.
Detalhes do laudo e próximos passos
O Instituto Médico Legal do Distrito de Colúmbia (Washington, D.C.) realizou os procedimentos investigativos que identificaram a dissecação da aorta como causa determinante do óbito. Conforme o comunicado oficial divulgado, o certificado de óbito permanece incompleto enquanto aguarda-se conclusão de testes toxicológicos e exames microscópicos, que formalizarão a classificação definitiva da causa de morte.
Inicialmente, o gabinete de Graham informou apenas que o falecimento ocorreu após uma "breve e repentina doença". Os detalhes sobre a falha cardíaca tornaram-se públicos exclusivamente no domingo, mediante divulgação do parecer do Instituto Médico Legal, revelando tratar-se de dissecação da aorta.
Reações políticas e luto nacional
O presidente Donald Trump, reconhecido como um dos mais próximos aliados de Graham no Capitólio, expressou seu lamento durante entrevista ao programa "Meet the Press" da emissora NBC. Trump revelou ter conversado telefonicamente com o senador no sábado à noite, logo após o parlamentar retornar de uma viagem oficial a Kiev, na Ucrânia.
"Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito", comentou Trump, caracterizando Graham como "um membro da família". O presidente americano ordenou que bandeiras em todo o país fossem hasteadas a meio-mastro como sinal de luto até o próximo sábado.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou estar "profundamente entristecido" com a morte de Graham, descrevendo-o como um "verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam nosso mundo mais seguro".
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, também lamentou publicamente a morte, descrevendo Graham como "um grande amigo de Israel" e "querido amigo meu". Netanyahu ressaltou que Graham compreendia a inseparabilidade da segurança israelense e norte-americana, dedicando sua vida à defesa dos EUA e fortalecimento da aliança bilateral.
Carreira e trajetória política
Lindsey Graham construiu uma carreira superior a três décadas na política norte-americana. Nascido em família de classe média baixa na cidade de Central, na Carolina do Sul, Graham cresceu auxiliando seus pais, proprietários de um bar contíguo à residência familiar. Formou-se em Direito antes de ingressar na vida pública.
Sua trajetória eleitoral iniciou em 1992, quando foi eleito deputado estadual após atuar como advogado na Justiça Militar e na Justiça comum. A projeção nacional começou em 1999, quando integrou a comissão da Câmara dos Representantes que aprovou o processo de impeachment do então presidente Bill Clinton.
Graham foi eleito para o Senado dos Estados Unidos em 2002 e estava em seu quinto mandato, planejando concorrer à reeleição em novembro daquele ano. Ocupava a presidência do Comitê de Orçamento do Senado e era uma das vozes mais influentes da política externa norte-americana.
Comissões legislativas e responsabilidades
Recentemente, Graham presidia a Comissão de Orçamento do Senado. Além disso, integrava a Comissão de Apropriações, a Comissão Judiciária e a Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado, consolidando sua influência nas principais decisões legislativas do país.
Evolução da relação com Trump
A relação entre Graham e Trump começou de forma conturbada. O senador chegou a afirmar que o então empresário era "inapto para o cargo" e utilizou linguagem depreciativa após Trump fazer comentários negativos sobre o ex-senador John McCain, melhor amigo de Graham no Senado.
McCain, Graham e o ex-senador Joe Lieberman eram conhecidos como os "Três Amigos" e viajavam frequentemente pelo mundo para defender uma política externa mais intervencionista dos Estados Unidos.
Entretanto, Graham mudou significativamente de posição após a vitória eleitoral de Trump. O senador tornou-se um dos principais aliados presidenciais, passou a manter contatos frequentes com ele e tornou-se presença constante em partidas de golfe, enquanto McCain permanecia como crítico do presidente.
Graham chegou a romper com Trump após a invasão do Capitólio por apoiadores presidenciais em 6 de janeiro de 2021, declarando: "Estou fora. Já chega." Porém, pouco tempo depois, voltou a se aproximar de Trump, permanecendo como aliado durante seu segundo mandato.
Impactos políticos e sucessão
Os republicanos mantêm atualmente uma maioria apertada de 53 a 47 cadeiras no Senado. Conforme a lei da Carolina do Sul, o governador Henry McMaster, também republicano, deverá nomear um substituto temporário para Graham, permanecendo no cargo até janeiro.
McMaster afirmou, em nota oficial, que Graham é "insubstituível", descrevendo-o como "o mais feroz dos defensores da Carolina do Sul e da América — e um amigo leal e firme".
Graham não era casado e não tinha filhos. Sua parente viva mais próxima é a irmã Darline Graham Nordone, que ele ajudou a criar após perderem os pais.
Legado em política externa
Graham defendeu durante décadas uma política externa favorável ao uso estratégico da força militar pelos Estados Unidos e ao fortalecimento robusto da defesa nacional. Na semana anterior ao seu falecimento, participou de delegação em Kiev, capital da Ucrânia, anunciando acordo para avançar em pacote de maiores sanções dos EUA à Rússia.
John Thune, líder da maioria no Senado americano, afirmou que "meu coração está pesado ao saber da morte do meu amigo e colega, o senador Lindsey Graham". Thune destacou que "Lindsey dedicou muitos anos à Força Aérea e ao Congresso, levando-o às mais diversas regiões do mundo" e que "foi defensor firme dos Estados Unidos e forte aliado de países que valorizam liberdade".
