Mendonça apreende passaporte de publicitário investigado no caso Master

Determinação do ministro André Mendonça
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça expediu decisão neste sábado (11) ordenando a apreensão de passaporte de publicitário investigado em conexão com o caso do Banco Master. Trata-se de Thiago Miranda, profissional da área de comunicação ligado a Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira. A assessoria do STF confirmou oficialmente a determinação, ainda que o documento permaneça sob sigilo. Mendonça exerce a função de relator de todas as ações relacionadas à fraude do Banco Master no tribunal supremo.
Investigação na 10ª fase da Compliance Zero
Miranda figurou entre os investigados na 10ª etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (9). As investigações apontam o publicitário como suspeito de coordenar atividades em plataformas digitais com objetivo de prejudicar a reputação e desacreditar as operações do Banco Central. Segundo a Polícia Federal, as apurações indicam existência de organização criminosa direcionada à intimidação de profissionais da imprensa, vigilância de indivíduos próximos a autoridades e apropriação indevida de informações confidenciais.
Quem é Thiago Miranda
Thiago Miranda é proprietário da Miranda Comunicação, estabelecimento comercial igualmente designado como Agência MiThi. Nas mídias sociais, o profissional de publicidade também se identifica como idealizador e participante acionário do portal informativo Léo Dias. As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que Miranda teria contratado criadores de conteúdo digital para defender institucionalmente o Banco Master e efetuar ofensivas coordenadas contra o Banco Central durante o período que antecedeu a liquidação da instituição financeira.
Esquema de contratação de influenciadores
Em março, durante depoimento oferecido à Polícia Federal, Miranda refutou qualquer envolvimento na contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas ou instituições federais. Conforme sua justificativa, as atividades realizadas destinavam-se exclusivamente à "reconstrução da imagem reputacional" do proprietário do Banco Master. Contudo, em janeiro, reportagem revelou detalhes do sistema de remuneração de influenciadores para este propósito.
Um criador de conteúdo digital radicado em São Paulo informou, sob garantia de anonimato, ter recebido R$ 7,8 mil pela publicação singular contendo críticas direcionadas ao Banco Central, divulgada em dezembro. Conforme o influenciador relatou, o depósito foi processado pela empresa administrada por Thiago Miranda. Subsequentemente, o profissional declinou de proposta contratual de duração trimestral para prosseguir na divulgação de conteúdos similares. A proposta prevista contemplava produção de oito vídeos mensais e, findo o período contratual, com aplicação de desconto de comissão, o criador receberia R$ 188 mil.
Mandados e apreensões determinadas
Conforme comunicação da Polícia Federal, encontram-se em execução dois mandados de busca e apreensão na capital federal, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, responsável pelo acompanhamento da investigação sobre o caso Master no tribunal, Miranda é identificado como figura central na articulação do esquema operacional.
O objetivo delineado seria desacredibilizar órgãos e instituições públicas, perpetrar ofensivas contra a operacionalização do Banco Central e manipular sistematicamente a percepção coletiva. Segundo as averiguações, o grupo objeto de investigação utilizava informações conseguidas por meios ilícitos — englobando ruptura de confidencialidade e acessos indevidos a informações financeiras, cadastrais e relacionadas a familiares de jornalistas e competidores — com finalidade de coagir e intimidar aqueles que ofereciam resistência aos propósitos do agrupamento.
Determinações judiciais e documentação apreendida
Na decisão prolatada, o ministro André Mendonça autorizou a confiscação de documentação material e eletrônica, equipamentos para armazenamento de informações e mídia de dados, acrescida de bens possuidores de elevado valor patrimonial e numerário em espécie superior a R$ 20 mil. Os agentes policiais igualmente investigam a implementação de procedimentos destinados à interferência em procedimentos investigatórios criminais. Conforme comunicação da Polícia Federal, as circunstâncias investigadas potencialmente configuram os delitos subsequentes:
Ofensa contra o sistema financeiro nacional; constituição de organização criminosa; obstrução à investigação de grupo criminoso organizado; além de infrações adicionais, como potenciais violações de dados pessoais e comprometimento de infraestrutura informática.
