Museu de Arte Murilo Mendes obtém certificação Ibram

Reconhecimento oficial para instituição de Juiz de Fora
O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora, conquistou oficialmente a certificação Ibram através do selo "Museu Registrado". A instituição, que completa 13 anos de funcionamento, integra o seleto grupo de apenas 31 museus mineiros entre os 172 brasileiros que possuem esta certificação de reconhecimento federal.
A obtenção do Museu de Arte Murilo Mendes pelo programa do Instituto Brasileiro de Museus representa uma chancela institucional de grande relevância. Conforme explicou Ricardo Cristófaro, diretor da instituição, o registro diferencia o espaço no cenário cultural nacional e abre portas para oportunidades significativas.
Impacto da certificação para o museu
De acordo com o diretor, possuir o selo "Museu Registrado" confere status diferenciado no setor. Nem todos os espaços museológicos recebem esse reconhecimento do governo federal, e a certificação habilita a instituição a participar de editais para captação de recursos, estabelecer parcerias em programas nacionais e internacionais, além de viabilizar intercâmbios de exposições.
A obtenção da certificação Ibram abre acesso a uma rede ampla de oportunidades. O museu agora pode aderir ao Sistema Brasileiro de Museus, exercer direito de preferência em casos de Declaração de Interesse Público e participar de editais específicos que demandam reconhecimento formal.
Profissionalização do setor museológico no Brasil
Cristófaro contextualizou a importância do registro ao mencionar as iniciativas para organização e profissionalização do setor museológico brasileiro. Quando o Museu de Arte Murilo Mendes foi criado em 2005, qualquer coleção ou espaço poderia receber a nomenclatura de museu. A partir de 2009, com a instituição do Ibram, começou-se a normatizar o que efetivamente constitui um museu e o que é considerado coleção de interesse.
O Instituto Brasileiro de Museus trabalha continuamente na profissionalização da gestão dos espaços, recursos humanos, levantamento de riscos e organização dos acervos. Esse processo de padronização contribui para a elevação da qualidade em todo o sistema museológico nacional.
Como exemplo dessa distinção conceitual, o diretor citou o Memorial Itamar Franco, localizado ao lado do Mamm, que funciona como espaço de interesse cultural, mas não é classificado como museu por não possuir acervo de relevância específica.
Trajetória para obtenção do selo
O Museu de Arte Murilo Mendes iniciou o processo para obtenção do selo em 2017, sob iniciativa da museóloga Raquel Barbosa e do restaurador Aloísio Arnaldo de Castro. A documentação exigida foi enviada e o processo foi aberto em setembro daquele ano, seguindo-se respostas a múltiplas interpelações e solicitações do Ibram.
Os avaliadores analisaram detalhadamente a missão institucional, o acervo, a importância da instituição, seu conselho curador, diretoria eleita e plano museológico trienal. Após essa análise aprofundada, a instituição recebeu seu credenciamento em junho de 2024.
Estrutura e acervos do museu
Inaugurado em 2005, o Museu de Arte Murilo Mendes abriga importante acervo bibliográfico e de artes visuais do poeta juiz-forano. A instituição promove constantemente exposições e desenvolve intensa programação cultural, educativa e totalmente gratuita, como continuação do legado de Murilo Mendes.
Atualmente, funcionam nas dependências do museu a Biblioteca e Hemeroteca Dormevilly Nóbrega, além das bibliotecas da escritora Cleonice Rainho, da família Cosette de Alencar, do arquiteto Arthur Arcuri, do artista plástico João Guimarães Vieira e da autora Maria de Lourdes de Oliveira.
O acervo do Museu de Arte Murilo Mendes divide-se em duas categorias principais: o acervo de origem, compreendendo a pinacoteca e biblioteca de Murilo Mendes, e o acervo expandido, que reúne obras ligadas à literatura, artes visuais, arquitetura e coleções de arte moderna, contemporânea e juiz-forana brasileira.
Programação e visitação
A entrada no Museu de Arte Murilo Mendes é totalmente gratuita. O museu funciona de terça a sexta das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados das 12h às 18h. Atualmente, encontram-se em cartaz exposições focadas no acervo interno, frequentemente revisitadas por projetos de pesquisa.
A programação inclui exposições dedicadas ao acervo brasileiro, técnicas de gravura na Coleção Murilo Mendes e uma retrospectiva do artista Farnese de Andrade, que reproduz mostra realizada na década de 1970. Desde abril de 2024, a instituição retomou o Projeto Coletivo Cultural, disponibilizando transporte para estudantes de instituições públicas de Juiz de Fora.
Requisitos e benefícios da certificação Ibram
Segundo regulamentação do Instituto Brasileiro de Museus, desde janeiro de 2017 as instituições interessadas devem preencher o Formulário de Solicitação de Registro, fotocopiar documentos solicitados e enviar o material para o Ibram ou entidade registradora local competente.
A certificação Ibram traz diversos benefícios: aumenta visibilidade em âmbito nacional através da Plataforma Museusbr e internacional pelo Registro de Museus Ibero-americano; propicia compartilhamento de informações aprofundadas com a sociedade; auxilia órgãos públicos a qualificar políticas para o setor; facilita adesão ao Sistema Brasileiro de Museus e habilita para participação em editais de fomento que exigem reconhecimento formal.
A obtenção do registro pelo Museu de Arte Murilo Mendes representa resultado de esforço coordenado da equipe institucional e consolida sua posição como espaço estratégico na preservação e difusão do patrimônio cultural juiz-forano.
