Prato feito sobe de preço apesar da inflação menor

Prato feito continua encarecendo no Brasil
O prato feito preço segue em trajetória ascendente no país, mesmo diante da desaceleração da inflação de alimentos registrada nos últimos meses. De acordo com o Índice Prato Feito (IPF), desenvolvido pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP), a refeição tradicional atingiu o valor médio de R$ 31,90 em junho, representando uma elevação de 5,4% comparado ao mês de março e 7,2% quando confrontado com janeiro.
Essa realidade impacta significativamente o orçamento dos trabalhadores que fazem suas refeições fora de casa. Um profissional que almoça em bares e restaurantes durante os 20 dias úteis de um mês gasta aproximadamente R$ 638 apenas com essa refeição, quantia que não compreende bebidas matinais, lanches intermediários ou jantares.
Inflação de alimentos cai, mas refeições fora não acompanham
Paradoxalmente, o índice oficial de inflação de alimentos apresentou queda de 0,24% em junho, conforme dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação geral do país, registrou aumento de apenas 0,16% no mês. Apesar desse cenário favorável, a alimentação fora do domicílio manteve trajetória de alta, com reajuste de 0,15% em junho, embora em ritmo inferior ao mês anterior, quando havia avançado 0,49%.
Enquanto produtos como café moído, frutas e carnes apresentaram reduções de preços, o custo de refeições em bares e restaurantes permaneceu sob pressão elevada. Essa divergência revela que os preços das preparações prontas não oscilam de forma proporcional aos ingredientes que as compõem.
Estrutura de custos além dos alimentos
Rodrigo Simões Galvão, economista responsável tecnicamente pelo Índice Prato Feito, explica que o prato feito preço comporta muito mais do que simplesmente arroz, feijão e proteína. "O prato feito é a economia servida no prato. Nele estão o arroz, o feijão e a carne, mas também o aluguel do ponto comercial, a energia elétrica, o salário dos funcionários, o transporte, os tributos, o custo financeiro e a margem do empresário", afirma o especialista.
Quando a inflação alimentação sobe, o reflexo nos estabelecimentos comerciais vai muito além do valor dos insumos utilizados nas receitas. Os proprietários enfrentam pressões contínuas de custos operacionais como aluguel, energia, água, gás, salários e despesas de transportes, que continuam elevados mesmo durante períodos de desaceleração nos preços agrícolas.
Variação regional do custo das refeições
O custo almoço Brasil não é uniforme. Pesquisa aponta diferenças expressivas entre as regiões do país. A região Sul apresenta o maior valor médio, alcançando R$ 34,90, seguida pelo Centro-Oeste com R$ 34,45. No Sudeste, o prato feito preço médio situa-se em R$ 31,99. As regiões Norte e Nordeste registram os menores valores, de R$ 29,99 e R$ 30 respectivamente.
Essa dispersão de preços implica que um trabalhador pode desembolsar até 16% a mais pela mesma categoria de refeição, dependendo da localidade onde reside. "O Brasil não almoça pelo mesmo preço. O prato feito evidencia diferenças regionais importantes, mas também mostra um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país", destaca Galvão.
Pressões sobre proprietários de restaurantes
Os aumentos no prato feito preço nem sempre correspondem a maior rentabilidade para os donos de restaurantes. Frequentemente, trata-se apenas de repassar parcialmente os custos crescentes aos consumidores. Os empresários do segmento de alimentação enfrentam pressões simultâneas: de um lado, clientes cada vez mais sensíveis às oscilações de preço; do outro, despesas operacionais que persistem em patamares elevados.
Segundo avaliação de especialistas, o desafio para esses profissionais é manter a qualidade das preparações, competitividade no mercado e viabilidade financeira da operação, simultaneamente. "O empresário da alimentação está entre duas pressões: de um lado, consumidores cada vez mais sensíveis ao preço; de outro, custos operacionais que continuam elevados. O desafio é preservar qualidade, competitividade e sustentabilidade financeira."
Perspectivas para os próximos meses
Apesar da desaceleração da inflação de alimentos em junho, novos fatores climáticos podem voltar a pressionar o custo almoço Brasil. Especialistas apontam que um eventual fortalecimento do fenômeno El Niño pode reduzir a oferta de diversos produtos agrícolas, provocando novas ondas de aumentos de preços.
Produtos hortícolas como batata, cebola, tomate e cenoura, além de frutas como maçã e uva, costumam sofrer impactos significativos em cenários climáticos adversos. O milho também pode ser afetado, o que tende a encarecer a produção de carnes, já que o grão constitui um dos principais componentes das rações utilizadas na pecuária. Embora seja prematuro mensurar a intensidade desses efeitos, o fenômeno climático já é acompanhado com atenção pelo potencial de impactar a produção agrícola e a formação de preços de alimentos em todo o país.
Essas perspectivas indicam que a refeição restaurante pode enfrentar novas pressões de alta nos próximos meses, mantendo a trajetória de encarecimento das refeições fora de casa que beneficia menos os consumidores.
