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Trilhas memoráveis de Benedito Ruy Barbosa marcam gerações

Trilhas memoráveis de Benedito Ruy Barbosa marcam gerações
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/07/trilhas-das-novelas-de-benedito-ruy-barbosa-incluem-musicas-marcantes-que-ainda-ecoam-na-memoria-popular.ghtml

O legado musical das novelas de Benedito Ruy Barbosa

As trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa representam muito mais que simples acompanhamentos musicais. Elas constituem parte fundamental da identidade artística das novelas do renomado escritor paulista, que faleceu aos 95 anos, deixando um acervo cinematográfico que marcou profundamente a televisão brasileira. As músicas selecionadas para suas produções não apenas complementavam as narrativas, mas amplificavam emoções e consolidavam memórias coletivas que perduram décadas após as exibições originais.

Admirável gado novo: símbolo de uma era

A composição "Admirável gado novo", de autoria de Zé Ramalho, tornou-se inseparável das cenas do núcleo dos sem-terra apresentadas em "O rei do gado" (1996). A música, gravada originalmente em 1979 pelo artista paraibano, ganhou renovada projeção ao sonorizar a trama épica de Benedito Ruy Barbosa. O próprio Zé Ramalho reconheceu em suas redes sociais o poder transformador dessa associação, afirmando que "a música viajou por vários países e ainda hoje é lembrada pelas emocionantes cenas com o núcleo dos sem-terra retratados na novela". Trinta anos após sua exibição, "O rei do gado" continua reverberando na memória popular, principalmente pela força dessa trilha musical que traduzia a essência das lutas retratadas.

Cabocla e o renascimento de clássicos musicais

A novela "Cabocla" (1996), transmitida na faixa das 18h, apresentava uma trilha sonora que reabilitava canções brasileiras clássicas. "Mágoas de caboclo", composição de J. Cascata e Leonel Azevedo lançada em 1936 na voz de Orlando Silva, ganhou nova vida na interpretação do cantor Nelson Gonçalves. A versão de Gonçalves tornou-se tão predominante na memória coletiva que praticamente sobrepôs a gravação original, demonstrando o poder das trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa em ressignificar obras musicais. Ainda em "Cabocla", a canção "Amora" (1979), apresentada por Renato Teixeira, marcava o início de uma parceria fecunda entre o compositor paulista e as novelas que colocavam o Brasil rural em primeiro plano.

Renato Teixeira e a música folk brasileira

Renato Teixeira consolidou-se como compositor preferido para as produções de Benedito Ruy Barbosa graças à sua sensibilidade musical e estilística. "Tocando em frente", apresentada na voz de Maria Bethânia para "Pantanal" (1990), exemplifica perfeitamente essa sintonia entre criador e intérprete. A novela pantaneira de 1990 recebeu uma trilha sonora considerada antológica pelos críticos especializados, com composições de beleza inebriante que moldaram a experiência audiovisual da produção. Além de Teixeira, outros compositores contribuíram significativamente para o sucesso sonoro dessa obra.

Pantanal: a exuberância musical do Brasil

"Pantanal" destacou-se pela qualidade excepcional de suas composições musicais. Marcus Viana, renomado compositor e violonista mineiro, criou "Amor selvagem" e o icônico tema de abertura "Pantanal", interpretado pelo grupo Sagrado Coração da Terra. A dupla Sá & Guarabyra forneceu "Estrela natureza", uma composição que se tornou sinônimo da magia pantaneira. Quando a novela foi refeita em 2022, manteve-se o mesmo tema de abertura, mas desta vez na interpretação recorrente de Maria Bethânia, demonstrando a longevidade e importância dessas criações musicais. As trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa possuíam a capacidade rara de transcender o tempo, permanecendo relevantes mesmo em novas versões.

Velho Chico: último legado musical

"Velho Chico" (2016) representou a derradeira novela inédita de Benedito Ruy Barbosa, e sua trilha sonora refletia a maturidade artística do escritor. "Mortal loucura", composição de José Miguel Wisnik com versos do poeta Gregório de Matos, foi interpretada por Maria Bethânia em uma das gravações mais arrebatadoras de sua carreira. A produção musical assinada por Marcio Arantes consolidava a parceria entre criadores que compreendiam profundamente a natureza das narrativas de Benedito Ruy Barbosa. Essa última trilha original mantém a excelência que caracterizou todas as suas produções anteriores.

Renascer: continuidade musical através das gerações

Tanto na versão original de 1993 quanto no remake de 2024, "Renascer" apresenta "Lua soberana", composição de Ivan Lins que ilumina a narrativa com sua elegância melódica. Ivan Lins também criou "Confins", tema de abertura da versão original, consolidando sua contribuição ao universo musical das novelas de Benedito Ruy Barbosa. A escolha de manter essa música em uma nova versão, décadas depois, evidencia a qualidade atemporal dessas criações sonoras que resistem ao escrutínio do tempo.

A alma musical do Brasil rural

As trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa frequentemente traduziram a essência capturada pelo escritor em suas narrativas. "Terra nostra" (1999) exemplifica essa sensibilidade ao apresentar uma seleção musical italiana que dialogava com a trama específica da novela. Essa atenção ao detalhe musical refletia a paixão e precisão com que Benedito Ruy Barbosa radiografava as entranhas profundas do Brasil rural. Suas escolhas musicais nunca eram arbitrárias, mas sempre propositais, reforçando temas centrais e amplificando emoções fundamentais das narrativas.

Permanência e reverberação na memória coletiva

O fenômeno das trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa transcende a simples associação entre música e imagem. Essas composições tornaram-se parte do patrimônio cultural brasileiro, frequentemente acionadas pela memória quando indivíduos rememoram suas experiências com as novelas. Muitas dessas músicas soam inesquecíveis precisamente porque foram selecionadas com cuidado artístico para reforçar narrativas que tocavam profundamente no coração dos espectadores. A morte de Benedito Ruy Barbosa marca o encerramento de uma era, mas suas trilhas sonoras continuam ecoando, perpetuando o legado de um dos maiores escritores de telenovelas brasileiras.

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