Trump acusa vandalismo em espelho d'água de Washington sem apresentar provas

Trump responsabiliza vandalismo pelo colapso da reforma no Lincoln Memorial
O presidente Donald Trump alegou que atos de vandalismo em Washington foram responsáveis pelos danos ao espelho d'água do Lincoln Memorial, alegação feita sem apresentação de provas concretas. A situação ganhou repercussão após visitantes notarem, poucos dias após o término da obra, que a tinta recém-aplicada começava a descascar do fundo da piscina histórica e se dispersava na água.
A reforma controversa do espelho d'água foi encomendada por Trump para as celebrações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos. O objetivo principal era eliminar o tom esverdeado derivado da proliferação de algas e substituir pela cor azul no fundo. Contudo, menos de duas semanas após o anúncio da conclusão dos trabalhos, problemas estruturais começaram a surgir.
Detalhes da obra e investimento sem licitação
O contrato para a revitalização do espelho d'água do Lincoln Memorial totalizou US$ 14,7 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 75,6 milhões, e foi executado sem processo de licitação formal. Essa modalidade de contratação despertou questionamentos sobre os procedimentos adotados na administração dos recursos públicos.
A obra incluía drenagem completa da piscina e aplicação de nova pintura no fundo. Posteriormente, agências federais trataram a água com produtos químicos para combater o reaparecimento de algas. Apesar dos investimentos significativos, a solução implementada demonstrou fragilidade, com a tinta começando a se soltar pouco tempo após sua aplicação.
Acusações de Trump sobre atos criminosos
Na noite de sexta-feira (19), Trump postou em sua rede social Truth Social afirmações sobre vandalismo no local. "Tivemos alguns problemas reais com vandalismo no belo espelho d'água", escreveu o presidente, adicionando que além de destruírem a grama ao redor da piscina, os responsáveis "fizeram de tudo para danificar a superfície interna que acabou de ser instalada".
Em mensagens subsequentes, Trump insistiu haver algo suspeito ocorrendo, mencionando o uso de "produtos químicos" similar aos encontrados no National Mall. O presidente comparou a situação com a descoberta de números gravados na grama descolorida da região, onde constava "86 47" — números que autoridades sugeriram poderem ser uma ameaça ao mandatário, já que 86 é gíria para "se livrar de" e 47 refere-se ao seu número ordinal de presidente.
Falta de evidências e investigações em andamento
Apesar das acusações formuladas pelo presidente, Trump não apresentou detalhes ou provas que comprovassem as alegações de vandalismo no espelho d'água. As autoridades federais, incluindo o Serviço Nacional de Parques e agências responsáveis pela segurança e manutenção do National Mall, não responderam aos pedidos de comentário sobre o assunto.
Conforme reportagem do jornal Washington Post, a Polícia de Parques prendeu uma pessoa na sexta-feira (19) por supostamente arrancar tinta da piscina. O caso permanece sob investigação. Da mesma forma, os números gravados na grama também estão sendo investigados como possível ameaça ao presidente.
Planos amplos de remodelação de Washington
A revitalização do espelho d'água do Lincoln Memorial representa apenas uma das iniciativas mais amplas de remodelação da capital americana conforme os planos de Trump. O presidente também projeta a construção de um novo salão de bailes no local onde anteriormente funcionava a Ala Leste da Casa Branca, bem como a edificação de um grande arco próximo ao Cemitério Nacional de Arlington.
Esses projetos de reformulação urbana refletem a visão do presidente para transformar aspectos significativos da fisionomia de Washington. No entanto, assim como ocorreu com o espelho d'água, questões relacionadas a custos, metodologias de implementação e durabilidade das obras continuam gerando debate público e escrutínio das autoridades e mídia especializada.
Contexto dos problemas recentes
O reaparecimento de algas no espelho d'água do Lincoln Memorial, mesmo após a conclusão da reforma custosa, revelou desafios técnicos na manutenção de estruturas históricas em ambiente urbano. Funcionários federais foram fotografados utilizando equipamento de sucção para limpeza da piscina, numa tentativa de contornar os problemas emergentes.
A situação ilustra as dificuldades frequentemente encontradas em projetos de infraestrutura de grande escala, onde fatores ambientais e climáticos podem comprometer soluções implementadas, independentemente do montante investido. O fundo da piscina agora exibe exposição do substrato rochoso onde a tinta descascou, alterando significativamente a aparência que Trump almejava para o cartão-postal da capital americana.