Verificação: Declarações de Romeu Zema em Entrevista

Entrevista de Romeu Zema com Verificação de Declarações
O candidato presidencial Romeu Zema, do partido Novo, concedeu entrevista ao g1 e à GloboNews na quinta-feira, dia 6, onde abordou diversos temas sobre sua gestão como governador. A entrevista de Romeu Zema faz parte de uma série especial com presidenciáveis selecionados conforme pesquisa Datafolha de julho. A equipe de verificação de fatos analisou minuciosamente as principais declarações realizadas durante o programa.
Ordem das Entrevistas com Candidatos
Um sorteio realizado em 27 de julho determinou a sequência de participações dos cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha. Lula foi convidado para terça-feira (4), mas sua assessoria informou não comparecimento. Renan Santos (Missão) foi entrevistado na quarta-feira (5). Romeu Zema (Novo) participou na quinta-feira (6). Ronaldo Caiado (PSD) confirmou presença para sexta-feira (7). Flávio Bolsonaro (PL) estava previsto para segunda-feira (10), sem confirmação até a última atualização.
Análise das Afirmações sobre Governo sem Escândalos
Romeu Zema afirmou: "Eu, como governador, fiz um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção." Essa declaração foi classificada como falsa pela equipe verificadora. A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração de Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão do governo. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e patrimoniais foram exonerados ou afastados após serem citados nas investigações. O esquema envolvia empresários, delegados e políticos que subornavam servidores públicos para obter licenças ambientais, permitindo exploração de minério de ferro em diferentes regiões, algumas próximas de unidades de preservação ambiental. Funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais estavam entre os alvos do esquema.
Situação Fiscal de Minas Gerais: Fato Confirmado
Romeu Zema declarou que Minas Gerais saiu de um déficit para um superávit, passando de menos R$ 11 bilhões em 2018 para R$ 5 bilhões positivos em 2024. A verificação confirmou essa informação como verdadeira. O Balanço Geral do Estado divulgado ao final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais registrou déficit orçamentário de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado apresentou saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho. Vale destacar que ao final de 2025 a Secretaria registrou superávit de R$ 1,1 bilhão, porém projeta retorno a déficit de R$ 5 bilhões para final de 2026.
Questão sobre Banco Master e Envolvimento Privado
Regarding Romeu Zema's statement about the Banco Master: "Está aí o Banco Master. Quem é que teve envolvimento com o Banco Master? Só entes públicos, o BRB, quem mais? Os fundos de pensões públicos. Não se viu banco privado nem fundo de pensão privado envolvido." A verificação classificou essa afirmação como "não é bem assim". Embora investigações não mencionem bancos privados nem fundos de pensão privados no esquema Banco Master, empresas privadas aparecem nas apurações. A Reag Investimentos, gestora de fundos, teve suas operações investigadas por supostamente inflar patrimônio do Banco Master. João Carlos Mansur, fundador da Reag, é investigado por operações envolvendo fundos, mas defesas negam irregularidades. A Go UP Entertainment, produtora do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro, também aparece no caso com transações investigadas envolvendo recursos de Daniel Vorcaro. A Ancine abriu processo contra a Go UP por irregularidades na gravação do longa.
Herança Administrativa do Governo Anterior
A afirmação de Romeu Zema sobre servidores públicos com nomes no SPC e Serasa foi verificada como verdadeira. O candidato afirmou que ao assumir em janeiro de 2019, encontrou 240 mil servidores com nomes inscritos em órgãos de proteção ao crédito porque o governo anterior descontou empréstimos consignados sem repassar valores aos bancos. Em maio de 2020, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o ex-governador Fernando Pimentel por crime de peculato, com investigações apontando desvio de R$ 855 milhões em recursos de empréstimos consignados. Aproximadamente 260 mil servidores foram afetados conforme a Polícia Civil. O ex-secretário de Fazenda também foi indiciado, e em maio de 2021 o Ministério Público entrou com ação civil pública contra Pimentel e secretários por improbidade administrativa.
Investigações em Membros do Partido Novo
Romeu Zema declarou: "Eu não tenho ninguém do meu partido sendo investigado." Essa afirmação foi classificada como falsa. Em 30 de abril, o deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo de Mato Grosso, foi alvo de busca e apreensão na Operação Emenda Oculta, investigando direcionamento irregular de emendas parlamentares. Foram apreendidos R$ 150 mil na residência de Elizeu e R$ 50 mil no imóvel de seu irmão. Além disso, o ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado Ricardo Salles (Novo) responde no Supremo Tribunal Federal em Ação Penal sobre esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais, caso que aguarda julgamento e está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Geração de Empregos em Minas Gerais
A declaração de Romeu Zema sobre criação de mais de 1 milhão de empregos foi verificada como verdadeira. Em 2018, a taxa de desemprego em Minas Gerais foi de 10,8% conforme Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5%, representando queda de 5,7 pontos. O Censo de 2022 do IBGE apontou que Minas Gerais tem 16.627.121 pessoas com 15 anos ou mais, e 5,7% deste montante representaria aproximadamente 947.745 pessoas empregadas a mais.
Segurança de Barragens Pós-Brumadinho
Sobre medidas de segurança em barragens, Romeu Zema afirmou que após Brumadinho tornaram critérios muito mais seguros, com 18 barragens descomissionadas e material sendo retirado das demais. Essa afirmação foi classificada como "não é bem assim". A barragem B-I da mina Córrego do Feijão rompeu em 25 de janeiro de 2019, primeiro mês da gestão Zema. Em fevereiro sancionou a Lei nº 23.291 "Mar de Lama Nunca Mais", instituindo Política Estadual de Segurança de Barragens. Porém, parte das normas já existia antes, como a Política Nacional de Segurança de Barragens criada em 2010. Além disso, o número de 18 barragens descaracterizadas está desatualizado: conforme painel do Ministério Público de Minas Gerais atualizado em julho de 2026, 23 estruturas já foram descaracterizadas e 30 seguem em processo. Não houve outro rompimento com dimensões humanitárias de Brumadinho entre janeiro de 2019 e agosto de 2026, mas o estado permanece com barragens em níveis de emergência.
Processo Contra Gilmar Mendes
A afirmação de Romeu Zema sobre processo contra o ministro Gilmar Mendes foi verificada como verdadeira. Zema é alvo de processo de calúnia que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça após acusação do ministro do STF. O candidato foi intimado pela Justiça Federal em 1º de junho. O caso refere-se a vídeo postado por Zema no Instagram em 5 de março, retratando Gilmar Mendes e Dias Toffoli de forma irônica através de fantoches em conteúdo sobre Banco Master. Em 20 de abril, Gilmar Mendes pediu inclusão de Zema no inquérito das Fake News, mas em 15 de maio o procurador-geral da República repassou o caso ao STJ, afirmando ser o foro adequado.
Presença de Facções em Territórios Brasileiros
Romeu Zema declarou: "60 milhões de brasileiros não moram no Brasil, moram em áreas controladas pelo PCC, pelo Comando Vermelho e outras facções." Essa afirmação foi verificada como verdadeira. Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha publicada em maio estima que 68 milhões de brasileiros percebem presença de grupos criminosos em seu bairro, equivalente a 41% da população. Estudo "Governança criminal na América Latina" realizado pela universidade Cambridge publicado em agosto apontou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões vivem em locais com regras impostas por facções criminosas. Em 2025, outro estudo Datafolha indicou que ao menos 28,5 milhões convivem com crime organizado no bairro.
Mulheres em Comando nas Polícias de Minas Gerais
Romeu Zema afirmou que em Minas Gerais cargos de comando do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Polícia Civil são ocupados por mulheres, sendo Minas o único estado com essa característica. Essa declaração foi verificada como verdadeira. As instituições são lideradas pela coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan (Bombeiros), coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues (Polícia Militar) e delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis (Polícia Civil). A verificação consultou comandos de cada instituição nos 26 estados e Distrito Federal, confirmando que nenhum outro ente federativo possui mulheres ocupando esses três cargos simultaneamente.
Multas Ambientais de Mariana e Brumadinho
Romeu Zema declarou que aplicou a maior multa ambiental da história durante seu governo e que a multa de Brumadinho foi tão bem aplicada que a de Mariana foi "refeita lá para cima". Essa afirmação foi classificada como "não é bem assim". A Semad aplicou primeira multa de R$ 112 milhões à Samarco por Mariana em novembro de 2015. Posteriormente lavrou 31 autos de infração, sendo cinco anulados após recursos. Entre válidos, havia multa de R$ 127,6 milhões e outra de R$ 180 milhões relacionada à mortandade de peixes. A multa inicial de Brumadinho não superou a primeira de Mariana: Semad aplicou R$ 99 milhões e Ibama R$ 250 milhões. Em maio deste ano, Zema citou R$ 37 bilhões como "maior multa da história", mas esse montante refere-se ao acordo judicial global de reparação de Brumadinho, não à multa propriamente dita. O acordo de Brumadinho foi assinado em fevereiro de 2021 entre Vale, Governo de Minas, Ministério Público de Minas Gerais, Ministério Público Federal e Defensoria Pública. A repactuação de Mariana, assinada em 2024 por R$ 170 bilhões, trata de reparação e compensação, não aumento retroativo da multa ambiental.
