No dia 27 de março de 1969, uma peça de teatro foi apresentada pela primeira vez no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra. Intitulada “A Morte da Nau”, a peça abordava temas como o colonialismo e a opressão do Estado Novo, e foi inicialmente aceita pela censura.
No entanto, após apenas duas apresentações, a peça foi proibida pelo regime ditatorial, que considerou a sua mensagem subversiva e perigosa. O texto escrito pelo jovem dramaturgo José Manuel Castanheira, despertou a atenção e a admiração do público, mas também o medo e a censura dos poderes instituídos.
Agora, mais de 50 anos depois, “A Morte da Nau” será reeditada no TAGV, para celebrar o Dia Mundial do Teatro, comemorado anualmente em 27 de março. Esta é uma oportunidade única para revisitar uma peça marcante da história do teatro português e refletir sobre os temas ainda relevantes que ela aborda.
“A Morte da Nau” narra a história de um capitão de um navio que se rebela contra as injustiças e o sistema de exploração colonialista. Através de diálogos fortes e imagens poderosas, o texto denuncia a opressão do Estado Novo e a luta pela liberdade e pela dignidade humana.
A peça foi originalmente encenada pelo grupo de teatro “A Escola de Sabá”, formado por estudantes da Universidade de Coimbra, e contou com a participação de atores amadores e profissionais. A sua estreia em 1969 foi um momento marcante de resistência cultural e de contestação ao regime autoritário que governava Portugal.
Com uma linguagem inovadora para a época, “A Morte da Nau” foi um marco no teatro português, com influências do teatro do absurdo e do teatro do oprimido de Augusto Boal. A sua apresentação em Coimbra foi um ato corajoso e desafiante, que enfrentou a censura e a repressão da ditadura.
Após a proibição, “A Morte da Nau” foi encenada em outros países, como Brasil e Espanha, onde teve grande sucesso e reconhecimento. No entanto, só em 1974, com a Revolução dos Cravos, é que a peça pôde ser apresentada novamente em Portugal, agora sem restrições.
Esta reedição da peça no TAGV é uma forma de celebrar a liberdade conquistada e de homenagear os artistas que, mesmo em tempos difíceis, se dedicaram à arte e à resistência. Além disso, é uma oportunidade de revitalizar um texto importante para a história do teatro português e para a luta pela democracia e pelos direitos humanos.
O Teatro Académico de Gil Vicente é um espaço emblemático para a cultura em Coimbra, tendo sido palco de diversas manifestações artísticas e de protesto ao longo dos anos. A decisão de reeditar “A Morte da Nau” nesse teatro, no Dia Mundial do Teatro, é uma forma de manter vivo o espírito de contestação e de enaltecer a importância da arte para a sociedade.
Com esta iniciativa, o TAGV e a companhia de teatro “A Escola de Sabá” prestam uma homenagem a todos os artistas que, através da sua arte, lutaram e continuam a lutar pela liberdade e pela justiça. É também um convite para que o público se una a essa luta, assistindo à reedição de “A Morte da Nau” e refletindo sobre o seu significado e impacto nos dias atuais.
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