Dublador brasileiro Ricardo Schnetzer faleceu nesta quinta-feira (5) aos 72 anos, deixando uma legião de fãs e colegas de profissão órfãos de sua voz marcante e talento imensurável. Ele lutava contra a esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa que compromete o sistema nervoso e as funções motoras.
A notícia da morte foi divulgada pelo sobrinho e também dublador Victor Vaz nas redes sociais, que emocionou os seguidores com uma homenagem carinhosa. “Tio, obrigado por me acompanhar nessa jornada desde a minha adolescência. O senhor me ensinou o valor da palavra ÉTICA e a defendê-la com unhas e dentes”, escreveu.
Com uma carreira que abrangeu décadas, Schnetzer construiu uma relação única com o público brasileiro: tornou-se conhecido por milhões de pessoas que talvez nunca tenham visto seu rosto, mas certamente reconheciam sua voz em algum personagem. Ele emprestou sua voz para grandes astros internacionais como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere e Nicolas Cage em filmes que marcaram gerações.
Seus trabalhos mais marcantes incluem personagens que fizeram parte do repertório afetivo de crianças, jovens e adultos, muitas vezes sem que eles soubessem o verdadeiro responsável por trás da voz. Entre eles estão Benson, da animação Apenas um Show; Capitão Planeta; Albafica de Peixes, de Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas; e Carlos Daniel, da novela A Usurpadora.
No início deste ano, familiares iniciaram uma vaquinha online para ajudar a custear o tratamento da esclerose, com a meta de arrecadar R$ 200 mil. Até o momento de sua morte, a arrecadação já havia ultrapassado R$ 118 mil, mobilizando colegas de profissão e admiradores do seu trabalho.
A notícia da morte de Schnetzer repercutiu fortemente no meio artístico e entre os amantes de dublagem. Muitos colegas e amigos prestaram homenagens emocionantes nas redes sociais, destacando o profissionalismo e a dedicação do dublador em cada trabalho.
Ana Motta, amiga e empresária CEO do estúdio de dublagem e acessibilidade AllDub, relembra o primeiro encontro com Schnetzer em 2005, na Herbert Richers, um dos estúdios mais emblemáticos da dublagem brasileira. Para ela, a perda é tremenda tanto pessoal quanto simbólica para o setor.
“Desde o primeiro contato, ele já mostrava quem era: alegre, educado, generoso, sempre pronto para ajudar. Um profissional impecável e dono de uma voz absolutamente inconfundível”, afirma Ana.
Ela destaca que Schnetzer tinha um talento especial para personagens infantis e cômicos, conseguindo transmitir alma, humor e afeto em cada trabalho. Além disso, relembra o astral leve e bem-humorado do dublador, que ficará marcado nos corações de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Com o fechamento da Herbert Richers, Schnetzer seguiu caminhos diferentes, mas sempre se encontrava com colegas e amigos em novas fases da dublagem brasileira. Sua voz inconfundível e talento incomparável continuam presentes nos personagens que ele deu vida e no coração de todos que tiveram a honra de trabalhar ao seu lado.
A dor da despedida se mistura com a gratidão por ter conhecido e convivido com uma pessoa tão especial como Ricardo Schnetzer. Seu legado na dublagem brasileira é eterno e



