A Ordem dos Médicos está a trabalhar em uma proposta de alteração à lei que pode ser um grande avanço para a área da saúde em Portugal. A ideia é permitir a colheita de órgãos em casos de paragem cardiorrespiratória controlada, o que pode ajudar a diminuir as longas listas de espera por transplantes.
Atualmente, a lei portuguesa só permite a doação de órgãos em casos de morte cerebral. Isso significa que, mesmo que uma pessoa tenha manifestado o desejo de ser doadora, se ela sofrer uma paragem cardiorrespiratória e não tiver morte cerebral, seus órgãos não poderão ser doados. Isso tem sido um grande obstáculo para a realização de transplantes e tem contribuído para o aumento das listas de espera.
No entanto, a Ordem dos Médicos está ciente dessa situação e está trabalhando em uma proposta que pode mudar essa realidade. A ideia é permitir a colheita de órgãos em casos de paragem cardiorrespiratória controlada, ou seja, quando o paciente está em estado terminal e a morte é inevitável. Nesses casos, os médicos poderão realizar a colheita de órgãos após a confirmação da morte, seguindo todos os protocolos e critérios éticos e legais.
Essa proposta tem como objetivo principal aumentar o número de doações de órgãos e, consequentemente, diminuir as listas de espera por transplantes. Segundo dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), em 2019, foram realizados 875 transplantes em Portugal, mas ainda há mais de 800 pessoas à espera de um órgão. Com a mudança na lei, espera-se que esse número diminua significativamente.
Além disso, a colheita de órgãos em casos de paragem cardiorrespiratória controlada também pode ser uma alternativa para aqueles que não podem ser doadores em vida. Muitas vezes, por questões de saúde, uma pessoa não pode ser doadora em vida, mas após a sua morte, seus órgãos ainda podem ser aproveitados para salvar outras vidas. Com a nova proposta, essa possibilidade se tornará realidade.
É importante ressaltar que a colheita de órgãos em casos de paragem cardiorrespiratória controlada já é uma prática comum em outros países, como Espanha, França e Itália. E os resultados são bastante positivos. Em Espanha, por exemplo, a taxa de doação de órgãos é de 48 por milhão de habitantes, enquanto em Portugal é de apenas 33 por milhão de habitantes. Com a mudança na lei, espera-se que Portugal possa se aproximar desses números e, quem sabe, até superá-los.
Além disso, a proposta da Ordem dos Médicos também prevê a criação de uma comissão de avaliação para cada caso de colheita de órgãos em paragem cardiorrespiratória controlada. Essa comissão será responsável por avaliar cada situação e garantir que todos os critérios éticos e legais sejam cumpridos. Isso é fundamental para garantir a transparência e a segurança do processo.
É importante destacar que a doação de órgãos é um ato de amor e solidariedade. Ao doar seus órgãos, uma pessoa pode salvar a vida de até sete pessoas. E com a mudança na lei, mais vidas poderão ser salvas. Por isso, é fundamental que as pessoas conversem com suas famílias e deixem claro o seu desejo de ser doador. Afinal, a doação de órgãos é um gesto de amor que pode fazer toda a diferença na vida de alguém.
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