Manifestantes cobram transparência da Meta em SP contra interferência eleitoral

Manifestação contra a interferência da Meta no processo eleitoral brasileiro
Manifestantes compareceram na tarde de segunda-feira (19) em frente à sede da Meta no Brasil, localizada na Avenida Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, para protestar contra a suposta interferência Meta eleições brasileiras. De acordo com informações apuradas pela TV Globo, os participantes do ato tentaram entregar uma notificação extrajudicial a representantes da companhia, porém a empresa recusou-se a receber o documento.
O protesto, batizado como "Meta, não se meta na nossa eleição", foi promovido por entidades da sociedade civil e movimentos sociais que questionam as práticas adotadas pela plataforma durante o período eleitoral. Os organizadores denunciam que a empresa proprietária do Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e Meta AI estaria restrindo conteúdos e perfis vinculados a grupos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Decisão do TSE e contexto da ação
Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proferiu uma determinação estabelecendo que a Meta não poderia intervir na distribuição de conteúdo político-eleitoral nem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem de Flávio Bolsonaro (PL), até o encerramento do segundo turno das eleições. A medida inclui uma penalidade de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento.
A decisão foi fundamentada em ação protocolada pela campanha do presidente Lula à reeleição, que alegava que a empresa "tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega de postagens da coligação". Esta ação evidencia as preocupações crescentes sobre a atuação das plataformas digitais no cenário eleitoral nacional.
Denúncias e exigências das entidades organizadoras
Segundo as entidades que articularam o ato desta segunda-feira, nas últimas semanas foram registradas diversas denúncias envolvendo: perfis banidos sem justificativa adequada, publicações removidas de forma arbitrária, quedas repentinas do alcance de conteúdos e restrições de funcionalidades sem explicações transparentes. Os organizadores também indicam irregularidades em anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira e questionam o desempenho dos sistemas de inteligência artificial da empresa na classificação e recomendação de candidatos.
A notificação extrajudicial teria como destinatário Conrado Leister, diretor da Meta no Brasil. Entre as reivindicações apresentadas pelas entidades estão a reparação dos supostos danos atribuídos à plataforma, o aumento da transparência acerca das decisões de moderação de conteúdo e a implementação de canais efetivos de contestação para usuários e organizações impactados pelas ações da empresa.
Práticas questionadas e solicitações específicas
Os protestantes pleiteiam ainda o término do que denominam como "shadowban", uma prática que, conforme sua compreensão, consiste na redução seletiva do alcance de publicações sem comunicação clara e prévia ao usuário. Este procedimento, segundo os manifestantes, prejudica desproporcionalmente determinados perfis e conteúdos sem transparência adequada.
O documento também demanda a preservação integral de registros de moderação e de dados relativos à distribuição de conteúdos, possibilitando auditorias realizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo Ministério Público e por organizações da sociedade civil. Estas requisições refletem a preocupação com a accountability das plataformas digitais nas eleições brasileiras.
Organizações envolvidas no protesto
O protesto foi articulado por um conjunto de seis organizações: CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil. Estas entidades, reconhecidas por seu trabalho na defesa da liberdade de expressão e regulação das plataformas digitais, coordenaram esforços para evidenciar as preocupações sobre a atuação da Meta no contexto eleitoral.
Posicionamento da Meta sobre as acusações
A Meta divulgou uma resposta oficial em 16 de outubro, negando qualquer participação política. A empresa declarou que "não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição". Além disso, afirmou que a conta do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi suspensa "por engano" em determinado momento e que "incidentes técnicos recentes" afetaram as duas campanhas na internet.
De acordo com o posicionamento da companhia, uma "lacuna" em suas "proteções" de segurança permitiu que a ferramenta de inteligência artificial da Meta gerasse materiais de campanha que favoreciam o senador e também candidato Flávio Bolsonaro (PL). A empresa reiterou que "nossos sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política, e nossas regras e sua aplicação valem igualmente para todos".
Suspensão de conta de anúncios por "engano"
Conforme informado pela Meta, a conta de anúncios da campanha de Lula (PT) foi desativada "por engano" e "não por razões políticas" em 23 de setembro. A suspensão durou ligeiramente mais de uma hora, e a página oficial da campanha de Lula no Facebook, assim como a conta no Instagram, nunca foram bloqueadas. A empresa atribuiu este incidente a um anúncio que foi classificado incorretamente como uma possível tentativa de se passar por um programa social do governo durante uma análise mais ampla de combate a fraudes.
A Meta justificou tal classificação errônea como resultado de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU) destinado a combater golpes envolvendo programas federais. A empresa alegou também que a suspensão ocorreu em decorrência das "regras rígidas do Brasil para conteúdo digital" que, na avaliação da Meta, "aumentam o risco de aplicação excessiva e ameaçam a liberdade de expressão".
Incidentes técnicos e problemas operacionais
A Meta relatou que em 7 de outubro, a empresa identificou um "incidente técnico" que afetou os sistemas responsáveis pela contabilização de reproduções e reprises de Reels. O problema não se restringiu ao Brasil nem à conta da campanha de Lula. A empresa destacou que "a campanha de Flávio Bolsonaro também entrou em contato com a Meta neste dia para relatar o mesmo problema".
Durante aproximadamente cinco horas, conforme relatado pela empresa, as contagens de visualizações ficaram congeladas, apresentando dados incorretos ou zerados, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países, demonstrando seu caráter global e técnico.
Falha no Gerenciador de Anúncios
Em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha de amplitude global no Gerenciador de Anúncios, provocada por uma atualização de código, que impediu temporariamente que anunciantes criassem anúncios a partir de publicações já realizadas no Instagram. Este incidente também não se restringiu exclusivamente à campanha do presidente Lula.
Questões levantadas sobre a Meta AI
Usuários da Meta AI no WhatsApp relataram que a tecnologia se recusa a gerar imagens de campanha de Lula, porém aceita pedidos análogos para o candidato Flávio Bolsonaro. A Meta explicou que "o incidente envolvendo a Meta AI em 14 de outubro resultou de uma lacuna específica em nossas proteções, e não de viés político".
Para cumprir as regras eleitorais, a Meta afirmou ter proibido temporariamente a Meta AI de recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil. De acordo com a empresa, "nossos sistemas bloqueavam prompts no Brasil que mencionavam claramente qualquer um dos candidatos – incluindo 'Lula', 'Luiz Inácio Lula da Silva', 'Bolsonaro' e 'Flávio Bolsonaro' -, mas nem sempre reconheciam um candidato quando um primeiro nome comum era combinado com um número eleitoral".
Conclusões da Meta
A Meta declarou que "cada um dos incidentes citados pela campanha de Lula tem uma explicação direta e documentada". A empresa concluiu seu posicionamento afirmando que "nenhum deles reflete direcionamento político. Nenhum reflete manipulação da distribuição. Nenhum reflete uma tentativa de influenciar a eleição".
