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Trump levou acusações sem provas contra árbitro brasileiro à FIFA

Trump levou acusações sem provas contra árbitro brasileiro à FIFA
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/06/trump-recebeu-acusacoes-sem-evidencias-contra-arbitro-brasileiro-raphael-claus-diz-nyt.ghtml

As acusações infundadas contra Raphael Claus

O governo de Donald Trump circulou internamente acusações sem comprovação contra o árbitro brasileiro Raphael Claus, conforme reportagem do The New York Times. De acordo com a publicação, Scott Goodwin, gestor de fundos e grande doador da Federação de Futebol dos Estados Unidos, apresentou a integrantes da administração norte-americana alegações públicas de que Claus teria participado de esquemas para manipular resultados no Brasil. As acusações envolviam a aplicação irregular de cartões vermelhos pelo árbitro, segundo as informações divulgadas.

Contudo, as autoridades brasileiras e a própria FIFA não encontraram qualquer evidência que sustentasse essas alegações contra o árbitro brasileiro. Mesmo diante da ausência de comprovação, Trump mencionou essas acusações durante conversa telefônica com Gianni Infantino, presidente da FIFA, realizada logo após a expulsão de Folarin Balogun no jogo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.

O contexto do cartão vermelho de Balogun

O atacante americano Folarin Balogun recebeu cartão vermelho de Raphael Claus durante o confronto entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, na Copa do Mundo de 2026. O lance foi revisado pelo VAR antes da decisão da expulsão. Após o jogo, Donald Trump utilizou suas redes sociais para reclamar da punição, questionando a integridade da decisão arbitral.

A situação ganhou repercussão internacional quando a FIFA anulou os efeitos do cartão vermelho logo depois do confronto. Essa decisão permitiu que Balogun pudesse atuar contra a Bélgica na rodada seguinte. Após a revogação, Trump expressou satisfação nas redes sociais, publicando: "Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!"

Mobilização da Casa Branca para reverter a suspensão

Segundo a reportagem do The New York Times, integrantes graduados da Casa Branca se mobilizaram para tentar reverter a suspensão de Balogun. Entre os envolvidos estavam o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo. Esses funcionários recrutaram advogados para auxiliar a U.S. Soccer na tentativa de recorrer da decisão.

Essa iniciativa ocorreu apesar de as regulamentações da FIFA não preverem recurso para cartões vermelhos da natureza daquele aplicado a Balogun. Um memorando elaborado por advogados ligados a Trump buscava identificar brechas no Código Disciplinar da FIFA para sustentar uma contestação formal. O documento chegou a sugerir a possibilidade de invocar os direitos dos Estados Unidos como nação e até mesmo ameaçar recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS).

A decisão da FIFA baseada no Artigo 27

A decisão da FIFA de anular os efeitos do cartão vermelho foi tomada com base no Artigo 27 do Código Disciplinar da entidade. Esse artigo específico prevê que o órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar. O artigo recebe o título "Suspensão da implementação de medidas disciplinares" e oferece flexibilidade em determinados casos.

Conforme o Código Disciplinar, ao suspender a aplicação da sanção, o órgão judiciário submete a pessoa sancionada a um período de prova que varia de um a quatro anos. No caso de Balogun, o período probatório foi estabelecido em um ano. Se o jogador cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período, a suspensão será revogada e a sanção executada sem prejuízo de sanções adicionais. Ressalte-se que medidas disciplinares relacionadas à manipulação de resultados não podem ser suspensas segundo as regras.

Reações internacionais à decisão

A revogação do cartão vermelho e da suspensão de Balogun gerou críticas de várias entidades internacionais. A Bélgica, próxima adversária dos Estados Unidos, contestou formalmente a decisão, mas teve seu recurso rejeitado pela FIFA. Além disso, a União Europeia e a UEFA expressaram críticas públicas à FIFA pela anulação do cartão após o pedido de Trump.

Confirmação de Infantino sobre a ligação com Trump

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, confirmou oficialmente que recebeu uma ligação de Donald Trump discutindo o cartão vermelho. Em comunicado divulgado, Infantino afirmou: "Eu converso regularmente com o Presidente dos Estados Unidos sobre assuntos da Copa do Mundo, e de fato recebi uma ligação do Presidente Donald Trump". O dirigente ressaltou que conversa regularmente com Trump sobre questões relacionadas à competição.

Infantino, porém, enfatizou a independência dos órgãos judiciais da FIFA, afirmando que essa autonomia é essencial para manter a credibilidade e integridade do futebol. O presidente da FIFA alegou ter informado a Trump que o caso seria decidido pelas autoridades competentes no devido tempo. Infantino também mencionou que costuma respeitar as decisões do Comitê Disciplinar, mesmo quando discorda delas em algumas ocasiões.

Defesa do árbitro brasileiro

Após Trump chamar Raphael Claus de "suspeito" publicamente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) saiu em defesa do árbitro. A entidade manifestou apoio institucional a Claus, reafirmando sua confiança no profissional. A CBF também questionou as acusações infundadas apresentadas contra o árbitro, destacando que não existe qualquer comprovação dessas alegações.

Raphael Claus é um árbitro experiente e reconhecido internacionalmente, tendo atuado em diversas competições importantes. Sua reputação profissional foi questionada pelas acusações levantadas pela administração americana, embora nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada pelas autoridades brasileiras ou pela FIFA para sustentar tais alegações.

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