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Política

TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais

Abertura de processo no Tribunal de Contas estadual

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) iniciou procedimento formal para examinar a aplicação de R$ 90 milhões realizada pela Cedae no Banco Digimais, instituição financeira que se tornou foco de uma operação conduzida pela Polícia Federal na terça-feira, 23 de janeiro. A decisão representa um desdobramento significativo nas investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo a empresa de água e esgoto do estado.

A movimentação do Cedae Banco Digimais ocorreu durante o período em que Cláudio Castro (PL) exercia a função de governador. Na mesma época, o RioPrevidência, outro órgão estadual ligado ao governo fluminense, também realizou aplicações financeiras no Banco Master, instituição que enfrentava questões similares de risco.

Histórico da solicitação de investigação

O conselheiro José Gomes Graciosa protocolou em novembro de 2025 um pedido formal para que fosse aberta uma inspeção especial direcionada ao exame dessa aplicação específica. Contudo, o procedimento permanece ainda em fase preliminar, situado na presidência da Corte de Contas, etapa destinada à recepção e organização de documentação pertinente ao caso.

Estrutura da empresa de saneamento

Embora os serviços de distribuição de água e coleta de esgoto no município do Rio de Janeiro tenham sido transferidos para a iniciativa privada, a Cedae mantém sob sua responsabilidade as operações de captação e tratamento de água. Como entidade ligada diretamente à administração estadual, a companhia continua sendo fundamental na cadeia de fornecimento de água potável à população fluminense.

Contexto de risco no Banco Digimais

Profissionais do mercado financeiro identificavam previamente os riscos de insolvência associados ao Banco Digimais, cenário comparable ao enfrentado pelo Banco Master. A instituição era conhecida por oferecer taxas de retorno elevadas para aplicações, estratégia que atraía investidores em busca de maiores ganhos. Investigações conduzidas pela corporação federal indicam que houve possível falsificação de demonstrações contábeis com o objetivo de mascarar a verdadeira condição econômico-financeira da instituição bancária.

Responsabilidade e justificativas da gestão anterior

Antônio Carlos dos Santos, que ocupava a posição de diretor financeiro da Cedae quando da realização do aporte, foi identificado como gestor responsável pela operação e apresenta vínculos com o ex-governador Cláudio Castro. O ex-diretor financeiro confirma integralmente o investimento de R$ 90 milhões, realizado através de instrumento denominado DPGE, que previa cronograma específico para retirada dos recursos aplicados.

Segundo sua declaração, a aplicação de ativos financeiros integrava o plano de negócios institucional da Cedae e estava inserida na estratégia para atingir metas de rentabilidade. Conforme sua narrativa, não existiria risco significativo de perda dos valores investidos, uma vez que essa modalidade de investimento estaria resguardada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo de proteção do sistema financeiro nacional.

Resgate parcial dos valores aplicados

De acordo com o relato do ex-diretor financeiro, dos R$ 90 milhões originalmente transferidos, R$ 50 milhões já retornaram aos cofres da empresa ainda durante seu período à frente da diretoria financeira. Os R$ 40 milhões remanescentes estariam cobertos integralmente pela proteção oferecida pelo FGC, segundo sua avaliação técnica da época.

Antônio Carlos também alegou não ter recebido qualquer comunicação formal de órgãos reguladores ou de controle alertando sobre possíveis riscos da aplicação no Cedae Banco Digimais.

Políticas atuais e realocação de investimentos

A administração atual da Cedae informou que procedeu à alteração completa da Política de Aplicações Financeiras, documento aprovado em 19 de maio pelo Conselho de Administração da companhia. Conforme comunicado, permaneciam R$ 17 milhões em investimentos junto ao Banco Digimais com vencimento programado para quarta-feira, 24 de janeiro.

A empresa estadual anunciou que realizaria realocação desses valores para instituições financeiras classificadas no segmento S1 pelo Banco Central do Brasil, categoria que engloba as principais casas bancárias do país e oferece menor exposição a riscos para os investidores. Essa mudança reflete a adoção de postura mais conservadora na gestão de recursos públicos, privilegiando instituições de maior solidez.

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